24/06/2026 03:57 - Economia
Para entender esta notícia, é importante saber que a Argentina vive um momento de transição econômica. O BCRA (Banco Central da República Argentina), equivalente ao Banco Central do Brasil, reduziu significativamente suas compras diárias de dólares, passando de US$ 138 milhões diários em abril-maio para apenas US$ 79 milhões em junho, com um mínimo preocupante de US$ 50 milhões na segunda-feira, 22 de junho de 2026.
O dólar atacadista (usado para comércio exterior e importações) subiu 5,1% em junho versus uma inflação estimada de 2,1%. Esta diferença preocupa analistas que antecipam uma alta ordenada do câmbio para o segundo semestre.
As cotações atuais mostram:
O risco país subiu para 433 pontos básicos (+12 unidades), se afastando dos mínimos de 8 anos que havia tocado recentemente (425 pontos básicos, mínimo desde abril de 2018).
O risco país é um indicador que mede a probabilidade de um país não pagar suas dívidas. Quanto maior, mais arriscado é investir lá.
As reservas do BCRA se mantêm em USD 47.508 milhões.
As ações argentinas em Wall Street registraram quedas de até 4,4%:
| Ação | Variação |
|---|---|
| Edenor (energia) | -4,4% |
| Grupo Financiero Galicia | -3,7% |
| Macro (banco) | -3,4% |
| TGS (gás) | -3,4% |
O S&P Merval (principal índice da bolsa argentina) caiu 0,9% em pesos e 2,5% em dólares. No plano internacional: Nasdaq -3,3%, S&P 500 -1,5%, Dow Jones -0,1%, com um desplome do Kospi -10%.
A economia argentina cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada principalmente pelo setor energético (Vaca Muerta - uma das maiores reservas de xisto do mundo), manufatura e serviços.
Porém, a inadimplência atingiu 12,1% em abril de 2026, máximo desde 2004.
O Reserva Federal dos Estados Unidos mantém a taxa em 3,75% com 89% de probabilidade de aumento, o que pressiona os mercados emergentes.
O petróleo caiu de US$ 110 para menos de US$ 80, impactando os ingressos por exportações energéticas, que tinham uma projeção de USD 11.000 milhões para 2026.
As consultorias antecipam uma alta ordenada do câmbio para o segundo semestre de 2026, enquanto o governo busca manter a estabilidade macroeconômica com inflação estimada de 2,1% para junho. O cenário ainda é de esperança com uma economia que continua crescendo.
Alfredo S. Quiroga