24/06/2026 15:12 - Actualidad
A Universidade Nacional de Cuyo (UNCuyo) terá uma nova reitora a partir de 14 de agosto de 2026. Adriana García, da agrupação Encontro Plural, conseguiu 53,36% dos votos contra 46,64% obtidos por Gabriel Fidel, candidato do oficialismo universitário radical.
Este resultado tem significância especial: é a primeira vitória peronista em eleição direta desde que o sistema de votação foi implementado na universidade em 2014, e marca o retorno desse espaço político à condução da principal casa de estudos de Mendoza após doze anos de hegemonia radical.
A Universidade Nacional de Cuyo é a principal instituição pública de ensino superior de Mendoza, uma das províncias mais importantes da Argentina, localizada na região de Cuyo, conhecida por seus vinhedos e produção de vinho. A universidade conta com 12 faculdades e mais de 58.000 eleitores entre estudantes, docentes, egressos e pessoal de apoio acadêmico. É uma das mais prestigiadas do país.
| Adriana García | 53,36% |
| Gabriel Fidel | 46,64% |
| Eleitores habilitados | 58.000+ |
| Votantes | ~16.000 |
| Mesas | 155 |
A estratégia de García para o segundo turno foi fundamental: conseguiu consolidar uma ampla frente opositora que incluiu Javier Ozollo e Fernanda Bernabé, do Projeto Universidade Aberta, que haviam obtido 18,45% na primeira volta. Também somou apoios de setores progressistas e do peronismo ortodoxo.
Em contraste, a polarização não favoreceu o radicalismo. Fidel recebeu o apoio de Ismael Farrando e Jimena Estrela (Trajetória e Renovação, 15,47%), mas a soma de alianças "não foi matemática pura", segundo analistas.
📍 Primeira volta (9 de junho): Fidel obteve 37,06% e García alcançou 29,02%. A baixa diferença forçou o segundo turno de 23 de junho.
A vitória de García se explica por múltiplos fatores que convergiram nesta eleição:
O oficialismo universitário chegava com 12 anos de condução ininterrupta: dois mandatos de Daniel Pizzi seguidos pela gestão de Esther Sánchez. O descontentamento se expressou especialmente no claustro de não docentes.
O conflito salarial, a crise do DAMSU (Direção de Apoio à Saúde Universitária) e as restrições orçamentárias pesaram na avaliação da gestão anterior.
Analistas interpretam que parte do resultado reflete rechaço às políticas econômicas do Governo nacional, especialmente em faculdades com docentes de dedicação exclusiva.
Enquanto o peronismo logrou se apresentar unido, o radicalismo mostrou fissuras internas que não puderam ser capitalizadas em votos.
"Não se fez nenhum acordo com o kirchnerismo. Nosso espaço é absolutamente diverso. Se obtivemos 53,36% é porque também estão os independentes, os peronistas, os radicais".
Em entrevista, García enfatizou que a vitória representou "um ponto de inflexão" e defendeu a autonomia da universidade frente às disputas partidárias: "Na universidade temos problemas muito cruciais para estar nessa disputa partidária".
Ainda que García ganhou o reitorado, sua gestão enfrentará uma estrutura institucional onde o oficialismo anterior conserva forte presença:
📅 Data chave: García e Sisti assumirão formalmente suas funções em 14 de agosto de 2026 e conduzirão a universidade até 2030.
Peronismo: Movimento político fundado por Juan Domingo Perón em meados do século XX. É a força política mais importante da Argentina contemporânea, com forte presença nos sindicatos e entre os trabalhadores. Defende a justiça social e a soberania econômica.
Radicalismo (UCR): Partido fundado em 1891, um dos mais antigos da Argentina. De centro-esquerda historicamente, foi o principal opositor ao peronismo durante décadas. Nas universidades públicas sempre teve forte presença.
Alfredo S. Quiroga