10/07/2026 03:42 - Politica
Durante as cerimônias pelo 210º Aniversário da Declaração de Independência celebradas em 9 de julho de 2026 em Tucumán (uma província no norte da Argentina, conhecida como o berço da independência declarada em 1816), a vice-presidente Victoria Villarruel gerou um fato político notável ao tomar distância do presidente Javier Milei (um economista de perfil liberal que chegou ao poder em 2023). Villarruel criticou abertamente o projeto de 'shutdown' do Estado impulsionado pelo mandatário (uma proposta de paralisar parcialmente a administração pública para reduzir gastos) e qualificou seu discurso na província como 'muito político'.
No marco do Tedeum celebrado na Catedral Metropolitana, a mandatária aproveitou a ocasião para pedir 'verdadeiro federalismo' e flertar com o cenário eleitoral do ano de 2027, mencionando suas intenções de continuar servindo à nação. As especulações sobre uma possível candidatura presidencial própria geraram tensões dentro do oficialismo, que busca consolidar uma estratégia unitária para as futuras eleições.
Enquanto a vice-presidente marca suas próprias posições, o governo nacional avança com sua estratégia de reeleição rumo às próximas eleições. As negociações estão sendo lideradas por Diego Santilli, que assumiu como Chefe de Gabinete de Ministros (um cargo equivalente a primeiro-ministro ou ministro-chefe) em 30 de junho de 2026. A Casa Rosada (sede do poder executivo argentino) busca fechar fileiras e evitar dispersões internas que afetem o capital político obtido nos últimos meses.
O ato em Tucumán contou com a presença do presidente, acompanhado por 13 governadores provinciais e a vice-governadora de Córdoba, demonstrando que o Executivo nacional mantém uma forte articulação com as províncias, apesar dos atritos na cúpula do poder.
O panorama macroeconômico acompanha as aspirações oficialistas. O risco país (indicador que mede a confiança dos investidores na economia de uma nação) situa-se numa faixa de 408 a 412 pontos, mostrando uma notável recuperação da confiança dos mercados. O dólar do Banco Nación (BNA, principal banco público da Argentina) é cotado a 1.510 ARS (pesos argentinos), enquanto o Relevamiento de Expectativas de Mercado (REM, uma pesquisa de analistas do Banco Central) projeta que a moeda americana alcançaria os 1.673 ARS em dezembro de 2026.
A isso soma-se a apresentação do plano financeiro 2026/2027 por parte do ministro da Economia, Luis Caputo, que projeta um superávit (excedente) de USD 3.700 milhões para o ano em curso, consolidando o caminho de estabilidade que o oficialismo pretende capitalizar rumo às eleições.
Alfredo S. Quiroga