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Governo argentino exige que Telecom venda 6 milhões de clientes para aprovar compra da Telefónica

19/06/2026 03:57 - Economia

Representación visual de la fusión entre empresas de telecomunicaciones con gráficos de concentración de mercado y telefonía móvil en Argentina

Uma das maiores fusões do setor na Argentina

A Telecom, uma das principais empresas de telecomunicações da Argentina, recebeu aprovação condicional para adquirir a Telefónica Móviles Argentina em uma operação avaliada em USD 1,25 bilhão, anunciada originalmente em fevereiro de 2025. O Tribunal de Defesa da Concorrência (TDC), órgão regulador argentino similar ao CADE brasileiro, estabeleceu requisitos rigorosos para evitar a formação de um monopólio no mercado de telefonia móvel.

Esta decisão marca um marco importante na política antimonopólio do governo de Javier Milei, presidente argentino eleito em 2023 conhecido por suas políticas de livre mercado, gerando expectativas sobre uma possível aprovação sem restrições da fusão entre dois gigantes das telecomunicações.

📊 Condições impostas

  • Desinvestimento de clientes: 6 milhões de usuários móveis (50% da carteira combinada)
  • Cessão de espectro: 130 MHz de frequência radioelétrica
  • Acesso à infraestrutura: Garantia de 2 anos para novo competidor

📉 Impacto na concentração

CenárioConcentração
Sem condições70% do mercado
Com condições50% do mercado

O que significa este desinvestimento?

A medida ordenada pelo governo implica que a Telecom deverá se desfazer de aproximadamente 6 milhões de clientes móveis, o que representa metade da carteira combinada resultante da fusão com a Telefónica Móviles Argentina.

O objetivo é evitar uma concentração excessiva no mercado de telefonia móvel argentino, que possui aproximadamente 45 milhões de habitantes e é um dos maiores mercados da América Latina. Sem essas condições, a nova empresa controlaria 70% do mercado. Com as restrições impostas, a participação ficará limitada a 50%.

Contexto para quem não conhece o mercado argentino

A Argentina tem um mercado de telecomunicações concentrado em poucos jogadores:

  • Telecom: Controlada pelo Grupo Clarín, maior conglomerado de mídia da Argentina, equivalente ao que seria um cruzamento entre Globo e Telefónica no Brasil.
  • Telefónica Móviles Argentina: Subsidiária da multinacional espanhola Telefónica, que opera com a marca Movistar.
  • Competidores relevantes: Personal (do grupo Telecom também) e Claro (do grupo mexicano América Móvil).

Além do desinvestimento de clientes

Além de se desfazer de clientes, a Telecom deverá:

  • Ceder 130 MHz de espectro radioelétrico: Esta banda de frequência é essencial para prestar serviços de telefonia móvel e dados, funcionando como as estradas do mundo digital.
  • Garantir acesso à infraestrutura durante 2 anos: Um novo competidor que entrar no mercado poderá utilizar a infraestrutura existente, como torres e antenas.

⚠️ Contexto político e empresarial

A medida acontece em um contexto de tensão entre o governo de Milei e o Grupo Clarín. A decisão do TDC foi respaldada pelo Ente Nacional de Comunicações (ENACOM), órgão regulador de comunicações similar à Anatel brasileira, que elaborou o informe técnico correspondente, e pela Administração Nacional de Competência (ANC), que aprovou as condições estruturais e de comportamento.

Fonte

Informação elaborada com base em dados do Tribunal de Defesa da Concorrência e ENACOM, segundo reportagem de Clarín, principal jornal da Argentina.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga