27/06/2026 10:50 - Tecnologia
Uma expedição internacional de biologia marina realizada em águas internacionais frente à costa do Brasil identificou 31 novas espécies em apenas duas semanas. O feito, considerado potencialmente um recorde mundial pela velocidade de identificação, foi realizado por cientistas dos Estados Unidos, Austrália, Brasil e Japão.
O navio de pesquisa Falkor (too), operado pelo Schmidt Ocean Institute, partiu da cidade de Salvador, na Bahia — um importante centro histórico e cultural do nordeste brasileiro — para explorar uma das regiões menos conhecidas do planeta.
Os pesquisadores exploraram o chamado "ocean middle" (meso-oceano), a zona entre o fundo marinho e a superfície iluminada pelo sol. Entre os achados:
| Tipo | Quantidade | Descrição |
|---|---|---|
| Anfípodo | 1 | Crustáceo aparentado com caranguejos e lagostas |
| Gusano gossamer | 1 | Verme de movimentos rápidos |
| Medusas | 9 | Incluindo espécies nunca vistas |
| Sifonóforos | 7 | Organismos coloniais, parentes das medusas |
| Ctenóforos | 7 | Conhecidos como "pentes do mar", brilham no escuro |
| Larváceos | 4 | Criaturas com forma de girino que vivem em casas de muco |
| Rizários gigantes | 2 | Organismos unicelulares visíveis a olho nu |
O grande diferencial da expedição foi o uso do microscópio confocal chamado "Squid", que permitiu aos cientistas observar pela primeira vez a estrutura celular 3D de organismos vivos diretamente a bordo do navio.
"Podíamos ver células interagindo entre si, trocando material e construindo esqueletos. E podíamos fazer isso ao vivo no navio, quando geralmente leva semanas de coloração e montagem", explicou a Dra. Karen Osborn, cientista principal da expedição do Smithsonian National Museum of Natural History.
Esta zona representa 90% do espaço vital do planeta e é um dos habitats menos explorados da Terra. Contém a maior biomassa animal do mundo.
Cada noite, criaturas que se escondem nas profundezas durante o dia sobem à superfície para se alimentar — um fenômeno crucial para o ciclo do carbono.
Osborn comparou o oceano a um "bolo de camas": é comum encontrar as mesmas espécies em profundidades similares em lugares distantes como Japão e Califórnia.
A Dra. Osborn enfatizou: "O que a humanidade encontrou até agora é apenas a ponta do iceberg. Há uma quantidade imensa de vida lá fora resolvendo os desafios da vida de maneiras incomuns. Imagine o que podemos aprender delas quando as entendermos melhor".
Fontes: The Guardian | Schmidt Ocean Institute | Smithsonian National Museum of Natural History
Alfredo S. Quiroga