26/06/2026 22:14 - Economia
O Banco Central da República Argentina (BCRA) completou 115 dias consecutivos com saldo comprador no mercado de câmbio, uma sequência inédita que permitiu acumular mais de USD 11 bilhões desde janeiro de 2026. Nesta quinta-feira, 25 de junho, somou outros USD 50 milhões aos seus cofres, elevando o total acumulado para USD 11,043 bilhões.
Contexto para estrangeiros: o BCRA é o banco central argentino, equivalente ao Banco Central do Brasil ou ao Federal Reserve dos EUA. "Saldo comprador" significa que o banco está comprando mais dólares do que vendendo, o que fortalece as reservas internacionais do país.
As estimativas oficiais apontavam para um saldo líquido comprador entre USD 10 bilhões e USD 17 bilhões para todo o ano de 2026. Com o acumulado atual, o BCRA já ultrapassou o piso dessa projeção antes mesmo de terminar o primeiro semestre.
O maior valor diário registrado foi no dia 10 de abril, quando o Central somou USD 457 milhões em uma única jornada, marca que segue sendo o recorde do ano. Apenas no dia 2 de janeiro houve saldo vendedor (quando o banco vendeu mais dólares do que comprou).
Na terceira semana de junho, o BCRA somou USD 233 milhões, valor inferior aos USD 436 milhões da semana anterior. A diferença se explica por:
No acumulado de junho, as aquisições totalizam USD 1,296 bilhão, muito abaixo dos USD 2,596 bilhões registrados em maio.
USD 46,961B
Reservas brutas ao fechamento
Em maio, as reservas cresceram USD 3,708 bilhões, atingindo o nível mais alto em sete anos.
A Argentina possui múltiplos tipos de câmbio devido aos controles de capital implementados pelo governo. Isso significa que o valor do dólar varia dependendo de como você o adquire:
| Cotação | Valor | Variação junho 2026 |
|---|---|---|
| Dólar atacadista (maiorista) | $1.477 | +4,8% ($69) |
| Dólar oficial | $1.495 | +4,5% ($65) |
| Dólar blue (paralelo) | $1.530 | +5,2% ($100) |
| Dólar MEP (eletrônico) | $1.505 | - |
| Contado com liqui | $1.554 | - |
Glossário para estrangeiros:
O dólar atacadista interrompeu uma sequência de sete sessões consecutivas de alta ao recuar 0,1% nesta quinta-feira. A taxa de câmbio oficial acumula alta de 3,6% desde 12 de junho.
O BCRA reduziu o ritmo de compras enquanto o dólar subia, uma decisão que marca mudança de estratégia. Até agora, o governo utilizava o câmbio como âncora contra a inflação.
A alta recente responde a três fatores:
A banda cambial tem teto de $1.799,21, o que deixa distância de 21,8% até o limite de livre flutuação.
O mercado de futuros do Matba-Rofex (bolsa de futuros argentina) cotiza:
As consultorias mais precisas em 2025 projetam para o fim do ano:
Consenso: $1.711 para dezembro de 2026.
Santiago Bausili, presidente do BCRA, sustenta que a evolução dos fatores de financiamento será fundamental para manter os objetivos do banco. A contribuição do setor agropecuário e energético foi crucial para a entrada de divisas, junto com a colocação de dívida por empresas e províncias no exterior.
As próximas semanas serão determinantes para observar como o Banco Central equilibra entradas e saídas de divisas em um contexto de menor oferta sazonal e maior demanda. Para investidores internacionais, a acumulação de reservas é um sinal positivo de que a Argentina está fortalecendo sua posição financeira externa.
Fonte: iProfesional
Alfredo S. Quiroga