26/06/2026 09:33 - Judiciales
Para compreender a magnitude desta notícia, é necessário saber que os 'Cuadernos de las Coimas' (Cadernos das Propinas) constituem o maior caso de corrupção investigado na Argentina nas últimas décadas. O caso explode a partir de cadernos manuscritos de um motorista que registrava pagamentos de propinas a funcionários do governo. Nesta nova audiência, o foco esteve nas declarações de funcionários da ARCA (a Administração Federal de Receitas Públicas, equivalente à receita federal), que explicaram como empresários sacavam fundos públicos de forma ilegal.
A ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner é uma das principais acusadas de liderar essa suposta associação ilícita.
A investigação revelou um modus operandi sofisticado:
As empresas investigadas atuavam em grandes obras de infraestrutura:
Essas empresas formavam consórcios para obter contratos milionários do Estado argentino.
Um dos casos mais graves mencionados envolve a empresa Isolux. Em 2007, esta empresa adjudicou a construção da Usina Termoelétrica de Río Turbio (na Patagônia argentina) por mais de 2.000 milhões de pesos.
As investigações detectaram que parte desses fundos era desviada através de intermediários em Nova York até a Banca Privada de Andorra, um conhecido paraíso fiscal europeu. Uma testemunha afirmou: "Nos informaram que a plata havia sido derivada através de um intermediário em Nova York... Até aí chegou nossa labor investigativo".
Os depoimentos quebraram o sigilo fiscal que antes protegia esses dados. Os testemunhos confirmam a falta de consistência nas justificativas dos gastos.
O julgamento continuará na terça-feira, 30 de junho. Estão previstos novos depoimentos que poderão esclarecer ainda mais o destino dos fundos públicos, sob a acusação da fiscal Fabiana León.
Alfredo S. Quiroga