26/06/2026 01:45 - Internacionales
O escritório do promotor de distrito de Manhattan, Alvin Bragg, apresentou uma moção na quinta-feira, 25 de junho de 2026, para arquivar a acusação de estupro em terceiro grau contra Harvey Weinstein. A decisão baseia-se na recusa da acusadora principal, Jessica Mann, em testemunhar pela quarta vez em um julgamento penal.
Segundo informou The Guardian, a promotoria reconheceu que testemunhar perante dois grandes júris e três júris de julgamento tem sido uma "experiência extraordinariamente exaustiva" para Mann. A mulher, que acusou Weinstein de estuprá-la em um quarto de hotel de Manhattan em 2013, enfrentou um longo processo legal marcado por apelações e julgamentos repetidos.
Para quem não conhece, Harvey Weinstein é um exprodutor cinematográfico americano, cofundador da Miramax Films, uma das produtoras mais importantes de Hollywood. Ele foi responsável por filmes premiados como "Shakespeare Apaixonado", "Pulp Fiction" e "O Rei Leão". Em 2017, ele se tornou o epicentro do escândalo que deu origem ao movimento #MeToo, quando mais de 80 mulheres acusaram-no de assédio sexual e agressão.
O movimento #MeToo ("Eu também") se espalhou globalmente, incentivando vítimas de assédio sexual a compartilhar suas experiências e exigir mudanças nas relações de poder no ambiente de trabalho.
O caso específico pelo estupro de Jessica Mann passou por múltiplas instâncias. Originalmente, Weinstein foi condenado em 2020, mas o tribunal de apelações mais alto de Nova York anulou essa condenação em 2024, alegando erros processuais. Isso obrigou a realização de um novo julgamento.
No rejulgamento de maio de 2026, o júri não conseguiu chegar a um veredito unânime, resultando no que se conhece legalmente como um "julgamento nulo" (mistrial). Diante da perspectiva de um quarto julgamento, a acusadora decidiu encerrar sua participação.
Um mistrial ou julgamento nulo ocorre quando o júri não consegue chegar a um acordo sobre um veredito (chama-se "júri empatado"). Nestes casos, o julgamento não tem resultado válido e a promotoria deve decidir se repete o processo novamente ou arquiva as acusações.
Apesar deste arquivamento de acusações, Weinstein não será libertado. O exprodutor, de 74 anos, permanece detido. A promotoria solicitou uma sentença de 20 anos de prisão pela agressão sexual a Miriam Haley, acusação pela qual foi condenado em um julgamento separado.
"Weinstein agiu mal, mas nunca agrediu ninguém".
Para leitores estrangeiros, é importante entender que nos Estados Unidos cada estado tem seu próprio sistema judicial. Nova York é um estado particularmente rigoroso em procedimentos legais, e os tribunais de apelações podem anular condenações se houver erros processuais, mesmo que o réu seja culpado. Isso garante direitos constitucionais, mas pode prolongar processos por anos.
O caso de Harvey Weinstein foi o catalisador do movimento #MeToo em 2017. Mais de 80 mulheres acusaram o produtor de assédio sexual ou conduta inadequada. Embora a justiça americana tenha conseguido condenações parciais, o processo demonstrou a dificuldade de litigar casos de agressão sexual anos após os fatos ocorridos.
Fonte: The Guardian
Alfredo S. Quiroga