25/06/2026 23:37 - Internacionales
O governo talibã no Afeganistão emitiu uma diretiva proibindo o uso de smartphones para todos os funcionários públicos, desde altos cargos até o pessoal de serviço, conforme informou o jornal britânico The Guardian, baseado em documentos oficiais.
A medida, ordenada pelos tribunais militares do grupo, entrou em vigor esta semana e proíbe terminantemente o uso de telefones celulares para 'alto escalão, baixo escalão, mujahidins gerais ou pessoal de serviço'.
A ordem estabelece que 'se alguém usar um, seu telefone móvel será destruído e será imposto um castigo legal e da sharia ao infrator'.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, observa-se funcionários talibãs lendo a ordem de proibição enquanto outros destroem telefones a golpes, uma cena que gerou alarme sobre o estado dos direitos civis no país.
Qualquer isenção exigiria um decreto escrito do líder supremo do Talibã, Hibatullah Akhundzada.
Embora a diretiva tenha como alvo oficial os funcionários do governo, relatórios do interior do Afeganistão indicam uma implementação irregular.
Em algumas cidades e províncias, a proibição já se estende a mulheres, civis, trabalhadores médicos, professores e estudantes.
Analistas consultados sugerem que isto pode ser um teste para uma proibição total em nível nacional, semelhante ao corte de internet ordenado em setembro do ano anterior.
O Talibã é um movimento fundamentalista islâmico que governou o Afeganistão de 1996 a 2001 e retomou o poder em agosto de 2021, após a retirada das tropas americanas. O grupo impõe uma interpretação rigorosa da Sharia (lei islâmica), restringindo severamente os direitos das mulheres, a liberdade de expressão e o acesso à tecnologia.
As razões por trás desta decisão estariam no temor aos vazamentos internos e na percepção de perda de produtividade. Os funcionários usam seus smartphones para fotografar documentos e gravar reuniões, o que resultou em vazamentos antes de o líder supremo aprová-los.
Além disso, existe uma preocupação sobre o uso do tempo dos funcionários. 'As pessoas estão o tempo todo em seus telefones e não trabalham', explicou um analista, sinalizando que a diferença é que nenhum outro país legisla contra isso de maneira tão draconiana.
A medida também segue os protestos na cidade ocidental de Herat, onde o Talibã prendeu mulheres por 'hijab incorreto'. Nessas manifestações, forças talibãs dispararam contra a multidão, causando pelo menos dois mortos. Os vídeos desses incidentes, captados com telefones, teriam alarmado o regime, que tentou negar os fatos antes de as imagens circularem globalmente.
Um funcionário do governo em Herat relatou que confiscaram e destruíram seu telefone avaliado em 8.000 afghanis (aproximadamente 95 libras esterlinas ou 600 reais), qualificando a perda como um ato de força desproporcional.
Alfredo S. Quiroga