O julgamento de Lindsay Clancy, a mãe de Massachusetts acusada de matar seus três filhos em janeiro de 2023, está se aproximando da fase final. Os testemunhos de especialistas em saúde mental e as teorias conspiratórias nas redes sociais dominaram a semana, enquanto o júri se prepara para deliberar se foi um ato de psicose pós-parto ou um assassinato deliberado.

O caso que comove os Estados Unidos

O julgamento de Lindsay Clancy, a mãe de 36 anos de Massachusetts acusada de matar seus três filhos em janeiro de 2023, está prestes a entrar em sua fase decisiva. O júri deverá determinar se Clancy é culpada de assassinato ou se sofria de psicose pós-parto e não deveria ser considerada penalmente responsável. O caso colocou o foco na saúde materna nos Estados Unidos e gerou um intenso debate nas redes sociais.

Testemunhos-chave da semana

Durante a semana, o tribunal ouviu testemunhos cruciais. A capelã do hospital, Sheila Cavanaugh, declarou que Clancy lhe contou que ouvia uma voz masculina que ordenava que matasse seus filhos. “A voz, segundo Lindsay, disse que se ela não seguisse a ordem, nem ela nem seus filhos estariam a salvo”, afirmou Cavanaugh.

O psicólogo forense Paul Zeizel, testemunha da defesa, testemunhou que Clancy lhe disse em uma ligação telefônica com seu ex-marido que “ouviu uma voz masculina que ordenava que ela não tinha outra opção, que tinha que matar seus filhos e depois cometer suicídio”. Zeizel também observou que Clancy “não conseguia adequar seu comportamento à lei” e que não tinha “apreço pela incorreção de seu ato”.

A última testemunha da defesa foi o Dr. Phillip Resnick, psiquiatra forense com experiência em transtornos pós-parto, que consultou no caso de Andrea Yates, a mãe do Texas que afogou seus cinco filhos e foi declarada inocente por insanidade. Resnick disse que acreditava que Clancy estava “francamente psicótica” no dia em que matou seus filhos, sofrendo alucinações de comando e uma “delusão de influência” na qual uma “força externa” havia assumido o controle de seu corpo.

A posição da acusação

A acusação contra-atacou com o testemunho do psiquiatra Dr. Avram Mack, que sustentou que Clancy sofria de um “episódio depressivo maior” em 2022 e 2023, mas que não preenchia o padrão legal para ser isenta de responsabilidade penal. Mack testemunhou que Clancy “geralmente era amigável e cooperativa” em suas reuniões e que “não havia muitas anormalidades em sua apresentação”.

A defesa questionou a credibilidade de Mack, observando que ele baseou sua avaliação apenas em entrevistas com Clancy enquanto ela estava medicada em um hospital psiquiátrico, sem entrevistar outras pessoas de sua vida.

Teorias conspiratórias e “forensic fandom”

O julgamento, transmitido ao vivo, gerou um fenômeno de “forensic fandom” no TikTok e em outras plataformas. Detetives amadores têm espalhado teorias conspiratórias, incluindo a afirmação sem evidências de que o ex-marido de Clancy, Patrick Clancy, foi o verdadeiro assassino. Especialistas alertam que essas teorias ameaçam minar os esforços para desestigmatizar a psicose pós-parto.

A Dra. Kathryn Coduto, professora de ciências da mídia na Universidade de Boston, explicou que os algoritmos das redes sociais amplificam esse conteúdo: “Algo como um vídeo conspiratório vai ter muito mais pernas do que teria em um ambiente de mídia diferente”.

Movimento de apoio e possíveis resultados

O caso impulsionou um movimento pela saúde materna. Na quinta-feira, centenas de mulheres se reuniram em frente ao tribunal vestindo rosa e segurando cartazes que diziam “Ela precisava de ajuda”. “As mulheres são demitidas, negligenciadas e ignoradas quando falamos”, disse April Vincent, uma das participantes.

Se o júri absolver Clancy por insanidade, ela não ficará livre, mas será enviada a um hospital psiquiátrico estadual com revisões periódicas. Se for considerada culpada, enfrentará prisão perpétua sem liberdade condicional. Os argumentos finais estão programados para a próxima semana.

Além disso, Clancy e seu ex-marido têm uma ação civil pendente contra vários provedores de saúde mental que a atenderam antes dos assassinatos.