10/07/2026 18:15 - Politica
Em 8 de julho de 2026, a senadora argentina Patricia Bullrich gerou uma ruptura dentro do oficialismo ao rejeitar a implementação das chamadas 'listas coletoras'. Embora tenha manifestado apoio à suspensão das eleições primárias (PASO) argumentando sobre o alto custo financeiro que elas representam, alertou que as listas coletoras significam 'deformar o sistema eleitoral'. Esta postura atinge diretamente a estratégia do presidente Javier Milei e de Diego Santilli, que buscam um acordo com governadores para impulsionar votos rumo à reeleição em 2027.
A Casa Rosada precisa dos votos de legisladores provinciais para eliminar as PASO. Em troca, os governadores querem colocar seus próprios candidatos a senadores e deputados. O 'invento' peronista das listas coletoras surgia como a ferramenta para que cada setor pendurasse suas listas na candidatura de Milei. No entanto, a rejeição de Bullrich, que busca defender sua base eleitoral de corte republicano, complica este arranjo, pois alerta que o que o peronismo 'usufruiu com grandes lucros' não é a melhor prática republicana.
O ministro da Economia, Luis Caputo, concretizou uma operação de empréstimos de USD 3.200 milhões com bancos comerciais (BBVA, Santander e Deutsche Bank), garantidos em 95% por organismos multilaterais como o Banco Mundial. Estes fundos buscam cobrir vencimentos estimados entre USD 4.400 e 4.800 milhões. A operação levanta suspeitas pela falta de transparência na taxa efetiva e nas comissões padronizadas de 0,5%, que neste caso representam USD 16 milhões para os bancos, canalizados através do Bank of New York Mellon.
No campo da oposição, o peronismo atravessa uma forte disputa interna. Facundo Tignanelli, braço direito de Máximo Kirchner na Legislatura bonaerense, elevou a tensão ao comparar o governador Axel Kicillof a Augusto Vandor, o sindicalista assassinado nos anos 70 após desvincular-se de Perón. A analogia é interpretada como um alerta interno e confirma que o objetivo da La Cámpora é que Cristina Kirchner seja a candidata presidencial em 2027.
Em outra frente, o governo avalia um projeto nuclear com a empresa estadunidense Meitner no valor de USD 1.200 milhões sob o ainda não sancionado Súper RIGI, em sociedade com o INVAP, para construir um reator modular (ASMR). Isso ocorre em meio a demissões na Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) e debates sobre o papel do Estado no desenvolvimento tecnológico e a possível transferência de conhecimento.
Alfredo S. Quiroga