01/07/2026 04:33 - Deportes
A seleção dos Países Baixos (conhecida internacionalmente como Holanda ou "Laranja Mecânica" pela cor de seu uniforme) foi eliminada do Mundial 2026 nas oitavas de final ao cair por 3-2 na disputa de pênaltis frente ao Marrocos, após um empate de 1-1 nos 120 minutos. Porém, além da derrota esportiva, o que gerou maior comoção foi a forma como a equipe se despediu do torneio: abandonando a identidade que a tornou famosa em todo o mundo.
O treinador Ronald Koeman tornou-se o centro das críticas por implementar um sistema defensivo que contradiz a filosofia histórica do futebol neerlandês, conhecida como o "futebol total".
No confronto contra Marrocos, Koeman alinhou uma defesa de cinco homens e cedeu a posse de bola ao rival. O resultado foi contundente: os Países Baixos tiveram apenas 30% de posse, uma estatística impensada para uma equipe que historicamente priorizava o controle do jogo.
O ex-jogador do Barcelona já havia dado sinais na fase de grupos: diante do Japão, após assumir a vantagem, recuou com quatro mudanças e passou a jogar com cinco defensores. O Japão terminou empatando no final.
Nigel de Jong, diretor esportivo da federação neerlandesa, confirmou que a meta era chegar às semifinais e a ambição era conquistar o título mundial.
"Ficamos longe de conseguir isso, essa é a conclusão. 'Decepção' é a palavra mais adequada", reconheceu após a eliminação.
Para entender a magnitude desta crítica, é preciso conhecer o conceito de futebol total. É uma filosofia de jogo que os Países Baixos forjaram a partir dos anos 70, quando Rinus Michels aperfeiçoou a ideia do inglês Jack Reynolds. O sistema caracterizava-se por:
Com Michels no banco e Johan Cruyff (considerado um dos maiores jogadores da história) em campo, os neerlandeses se converteram na "Laranja Mecânica" e deslumbraram no Mundial da Alemanha em 1974, embora tenham perdido a final contra o anfitrião.
O ex-atacante sueco, formado na escola do Ajax (principal clube da Holanda e berço do futebol total), não economizou críticas em declarações à Fox:
"Esta derrota é culpa do Koeman, porque não reconheci esta equipe holandesa. Perdeu com uma identidade que não é a identidade holandesa. Sempre me ensinaram: atacar, atacar, atacar. Esta não é a identidade holandesa. Hoje, o Koeman parecia um treinador italiano, jogando para não perder, enquanto os Países Baixos sempre jogam para ganhar. Se perde, pelo menos perca com sua própria identidade e não a mude".
O ex-jogador, contemporâneo de Cruyff e campeão da Eurocopa 1988 com Van Basten (outro ídolo neerlandês), questionou duramente a estratégia:
"Marrocos jogou como jogam os holandeses. Me pergunto o que pensaram realmente os atacantes da equipe quando viram o esquema".
| Competição | Oitavas de final - Mundial 2026 |
|---|---|
| Resultado | Empate 1-1 em 120 minutos, Marrocos vence por 3-2 nos pênaltis |
| Data | 29 de junho de 2026 |
| Sede | Estádio de Monterrei (México) |
| Próximo rival de Marrocos | Canadá nas quartas de final (04/07/2026 em Houston) |
Com esta derrota, os Países Baixos igualaram a Espanha com 4 eliminações por pênaltis em Mundiais (1998 vs Brasil, 2014 vs Argentina, 2022 vs Argentina, 2026 vs Marrocos).
Nigel de Jong não quis falar sobre a continuidade do selecionador, mas deixou claro que o balanço da equipe não foi positivo: "Nos reuniremos e teremos que fechar esta etapa da melhor forma possível, por mais difícil que resulte".
Fontes: TyC Sports, Agência EFE
Alfredo S. Quiroga