29/06/2026 09:16 - Judiciales
Por volta das 10 da manhã de domingo, 29 de junho de 2026, a Polícia de Salta recebeu uma chamada de socorro: duas mulheres relatavam ter sido vítimas de uma tentativa de assalto na Ruta Nacional 34, na entrada da localidade de El Potrero, jurisdição de Rosario de la Frontera.
O que parecia ser uma situação de perigo se tornou, em questão de minutos, uma descoberta que chocou a cidade de Tartagal. As mulheres, que viajavam em um Renault Duster, afirmaram ter sido interceptadas por uma caminhonete branca sem placa traseira. Segundo seu relato, resistiram ao suposto assalto e os atacantes dispararam, quebrando a luneta traseira e um pneu do veículo.
Ambas ficaram à disposição da Justiça Federal por suposto transporte de entorpecentes.
Durante a revista do veículo, os investigadores descobriram que uma das balas havia levantado a chapa de um compartimento secreto no porta-malas. Ali ficaram expostos os tijolos de cocaína de cor amarela, com peso aproximado de 70 quilos.
A carga tinha como destino provável a cidade de Buenos Aires.
Tartagal é uma cidade no norte da província de Salta, no noroeste da Argentina, próximo à fronteira com a Bolívia. É uma zona estratégica para o tráfico de drogas devido à sua localização fronteiriça.
A Gendarmería Nacional é uma força de segurança argentina com função policial e militar, responsável pela vigilância das fronteiras e combate ao narcotráfico. Ironia: uma médica desta força foi detida justamente por transportar cocaína.
A Ruta Nacional 34 é uma das principais rodovias argentinas, que conecta o norte com o centro do país, sendo muito usada para o transporte de mercadorias – legais e ilegais.
Investigadores consultados indicaram que o ataque poderia ser uma "mexicaneada", termo usado no ambiente do narcotráfico para referir-se ao roubo de cocaína de uma banda por outra. Segundo esta linha, um grupo narco da zona organiza tanto os envios quanto estes falsos assaltos.
Estratégia criminosa
Roubam de si mesmos para não pagar o transporte
Consequência
As vítimas ficam em dívida com a banda
Antecedente
Modalidade similar registrada no mesmo local
O caso gera especial comoção pelo perfil das envolvidas. Ivana Georgina Portal não só é médica, como presta serviços na Gendarmería Nacional, uma força de segurança dedicada precisamente a combater o narcotráfico nas fronteiras. Seu esposo também é gendarme e atua como motorista do chefe do Esquadrão de Tartagal.
Por sua vez, Delia Yolanda Tame é uma empresária conhecida na região, dona de um salão de beleza e cosmetologia. Ambas eram amigas e compartilhavam círculos sociais em Tartagal.
Fontes do caso indicaram à Infobae que Portal está classificada como "irrecuperável" pelo sistema financeiro, o que sugere que poderia ter antecedentes creditícios negativos.
Segundo informaram as fontes à Infobae, a carga teria relação com um clã narco que opera em Tartagal. Isso complicaria ainda mais a situação das detidas: além das consequências legais por transporte de entorpecentes, poderiam enfrentar represálias do próprio grupo criminoso.
A investigação continua e espera-se que nas próximas horas se conheça a audiência de imputação formal, a pesagem definitiva da carga e a promotoria responsável pelo processo.
Alfredo S. Quiroga