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Europa vive o verão mais extremo da história: mais de 1.300 mortos e 150 milhões sob calor brutal

28/06/2026 22:55 - Internacionales

A Europa atravessa o verão mais desafiante da sua história moderna. Com mais de 1.300 mortes excessivas relacionadas com as altas temperaturas desde 21 de junho e 150 milhões de pessoas vivendo sob calor extremo, o continente enfrenta uma crise climática sem precedentes que transforma a vida cotidiana e colapsa infraestruturas não preparadas para este cenário.

🌍 O que é uma onda de calor?

Uma onda de calor é um período prolongado de temperaturas anormalmente elevadas para uma região específica. Na Europa, onde muitas cidades foram construídas para reter calor durante invernos rigorosos, estes fenômenos tornam-se particularmente perigosos, pois os edifícios não conseguem arrefecer durante a noite.

Récords históricos derrubados em toda a Europa

A análise de World Weather Attribution sobre 854 cidades europeias revelou que quase metade superou ou superará seus máximos históricos de estresse térmico durante este mês de junho. Países como República Checa, Lituânia e Luxemburgo registaram temperaturas sem precedentes em 100% das suas cidades analisadas.

Cidade Temperatura registada Contexto
Pissos (França) 44,3°C Pequena comuna no sudoeste francês, região conhecida pelos seus pinhais
Paris (França) 40°C Capital francesa, uma das mais visitadas do mundo
Berlim (Alemanha) 39,9°C Capital alemã, conhecida pelos seus amplos espaços verdes
Londres (Reino Unido) Próximo a 40°C Capital britânica, famosa pelo seu clima tradicionalmente frio e chuvoso

💡 Para contextualizar: Londres, cidade conhecida mundialmente pelo seu clima frio e chuvoso, aproximou-se dos 40°C. Sarah Perkins-Kirkpatrick, cientista climática da Australian National University, classificou como "nada menos que fenomenal" que a capital britânica alcance estas temperaturas em ondas de calor que duram quatro ou cinco dias, algo que antes era uma raridade absoluta.

O continente que mais rapidamente aquece

A Europa aquece a um ritmo de 0,56°C por década desde meados dos anos 90, exatamente o dobro da média mundial, apenas superada pelo Ártico. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, expressou-o claramente: "A Europa é o continente que mais rapidamente aquece na Terra".

O triénio mais quente registado

A OMM confirmou que 2025 foi um dos três anos mais quentes jamais registados, com uma temperatura global 1,44°C acima da média 1850-1900. 2024 foi o ano mais caloroso da história, convertendo o período 2023-2025 no triénio mais quente do qual se tem registo.

Por que a Europa sofre tanto?

Os cientistas identificam múltiplos fatores que explicam a intensidade das ondas de calor europeias:

🔄 Padrões de circulação

Ar quente transportado desde o equador para o norte, preso sobre a Europa quando a temperatura do Atlântico Norte baixa.

🏜️ Solos secos

O aquecimento global seca o solo, reduzindo a capacidade de arrefecimento por evaporação.

☀️ Menos nuvens

A diminuição da cobertura nubosa permite que o calor do sol chegue sem obstáculos.

Erich Fischer, investigador do Swiss Federal Institute of Technology (ETH), comparou a situação com um salto em altura: "O recorde supera-se por meio metro, não por um ou dois centímetros".

O "assassino silencioso" e a crise sanitária

O estresse por calor afeta especialmente comunidades cuja infraestrutura não foi projetada para estas temperaturas. "As casas, locais de trabalho e escolas europeias não foram construídas para estas temperaturas", advertiu Tedros da OMS.

🏙️ O que é a "ilha de calor urbana"?

O fenômeno da "ilha de calor urbana" ocorre em cidades densamente construídas e sem vegetação adequada. O asfalto e o concreto absorvem calor durante o dia e libertam-no à noite, impedindo a recuperação térmica noturna. Isto incrementa os riscos de golpes de calor, desidratação e problemas renais, cardíacos ou respiratórios.

O aviso dos cientistas

Samantha Burgess, subdiretora do Copernicus Climate Change Service, foi contundente: "As ondas de calor chegaram para ficar, até fecharmos a torneira das emissões globais. São mais frequentes, mais intensas e duram mais".

Zeke Hausfather, cientista climático de Berkeley Earth, acrescentou: "Desde 1980 houve um enorme salto nas temperaturas globais da Europa. É bastante evidente nos dados".

O que é necessário para adaptar-se?

A OMS reclama respostas coordenadas e planos de ação específicos que automaticem intervenções preventivas ante alertas meteorológicos. As recomendações incluem:

  • Ampliar a proteção a grupos vulneráveis: pessoas idosas, mulheres grávidas, crianças pequenas, trabalhadores ao ar livre.
  • Mudanças estruturais no planejamento urbano: reabilitação de edifícios e criação de infraestruturas verdes.
  • Colaboração intersetorial: para reduzir a exposição ao calor em todos os níveis administrativos.

Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM), Organização Mundial da Saúde (OMS), Copernicus Climate Change Service, World Weather Attribution, revista Nature, Berkeley Earth.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga