26/06/2026 21:51 - Internacionales
Aviões militares estadunidenses atacaram na sexta-feira depósitos de mísseis e drones iranianos, assim como estações de radar costeiras nas proximidades do estratégico estreito de Ormuz, segundo informou o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM). A resposta militar ocorreu depois que o Irã impactou com um drone de ataque unidirecional o navio de carga M/V Ever Lovely, de bandeira singapuriana, que transitava pela saída do estreito em águas próximas à costa de Omã.
O incidente ocorreu a 7,5 milhas náuticas (14 quilômetros) ao sudeste de Dahit, localidade do sultanato de Omã, e foi o primeiro ataque registrado no estreito desde a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã para pôr fim às hostilidades. O presidente Donald Trump classificou o ato em sua rede social Truth como uma "violação insensata" do acordo de cessar-fogo, detalhando que o Irã lançou pelo menos quatro drones contra embarcações: um impactou na coberta superior do cargueiro e as forças estadunidenses derrubaram os outros três.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, que conecta com o Oceano Índico. É uma das rotas comerciais mais críticas do mundo, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo bruto global. Para entender sua importância: a cada dia, milhões de barris de petróleo passam por esta via em direção aos mercados asiáticos, europeus e americanos. Qualquer interrupção neste canal afeta diretamente os preços do combustível em todo o planeta, inclusive em países sul-americanos como a Argentina e o Brasil.
O navio atacado, operado pela companhia taiwanesa Evergreen (conhecida por seus contêineres verdes característicos), sofreu danos limitados às janelas do ponte de comando. A empresa confirmou que a tripulação, o navio e a carga estão a salvo, e o cargueiro continuou sua rota para o Oceano Índico. Trump sinalizou em declarações posteriores que o Irã "ainda tem certa capacidade" militar apesar de meses de conflito.
A Guarda Revolucionária Islâmica declarou ter atacado posições militares estadunidenses na região como represália, embora o CENTCOM não tenha confirmado esses impactos. O Irã insiste que os navios só receberão passagem segura se utilizarem rotas autorizadas por Teerã. A OMI propôs duas rotas alternativas: a norte, por águas iranianas com autorização prévia, e a sul, por águas omanis com apoio estadunidense.
O memorando de entendimento, assinado após meses de conflito, incluía o levantamento do bloqueio estadunidense a portos iranianos e a suspensão por 60 dias de sanções sobre vendas de petróleo. No entanto, a tensão persiste por desacordos sobre se o Irã pode cobrar tarifas dos navios. O vice-presidente J.D. Vance, negociador chave do acordo, advertiu: "A violência será respondida com violência".
A Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU responsável pela segurança marítima, negociou com o Irã e Omã garantias para reabrir a passagem, suspensa desde o início do conflito em fevereiro de 2026. Até o momento, 115 navios e 2.500 marinheiros foram evacuados, embora o plano tenha sido "pausado temporariamente" após o ataque. Esta é uma situação sem precedentes na navegação comercial moderna, demonstrando como tensões geopolíticas podem afetar o comércio global de forma imediata.
Fontes: CNN en Español, Infobae, El País.
Alfredo S. Quiroga