26/06/2026 21:18 - Actualidad
O escândalo que envolve Nacho Levy, referente de La Garganta Poderosa, somou uma nova voz. Sofía Monachelli, jornalista do Crónica TV (canal de notícias argentino de grande audiência), decidiu falar publicamente pela primeira vez sobre a relação que manteve com Levy há aproximadamente duas décadas.
Monachelli tinha 18 anos quando começou o vínculo, por volta de 2007 ou 2008, enquanto estudava em Deportea, escola de formação em jornalismo esportivo onde Levy era seu professor. A relação se estendeu por quase dois anos e meio.
"Eu entendi depois que havia sido uma relação violenta, que havia sido uma relação que me havia enchido de inseguranças, de medos, de não contar", declarou Monachelli ao ar de seu programa.
A jornalista contou que uma frase de Cecilia Ce a atravessou profundamente: "Eu pude sair". Essa expressão a fez sentir identificada com a experiência da sexóloga, que dias antes havia denunciado publicamente episódios de controle e manipulação emocional sem nomear Levy, embora o sinalamento recaiu rapidamente sobre ele.
Monachelli revelou que quando terminou a relação, teve que mudar seu número de telefone devido à quantidade de ligações e mensagens que recebia.
A jornalista agradeceu a uma mulher próxima de Levy —cujo nome protegeu— por ter-lhe aberto a porta de saída: "Você merece algo melhor, deixe-o", disse essa pessoa.
Hoje, aos 38 anos, Monachelli tem um filho de 8 anos e uma relação saudável. "Pude mudar, pude reverter, pude continuar trabalhando no meio", expressou com esperança.
Cecilia Ce respondeu rapidamente nas redes sociais com uma mensagem de apoio a Monachelli: "OBRIGADA, eternamente obrigada, estamos juntas", escreveu nos comentários do post, acumulando quase 4.000 curtidas.
Em suas histórias do Instagram, a sexóloga ampliou o alcance das denúncias: "Somos muitas. Em todos os âmbitos em que se movia, o mesmo modus operandi".
Este novo testemunho se soma ao de Cecilia Ce, reconhecida escritora e sexóloga argentina, que dias antes publicou em suas redes uma série de mensagens denunciando episódios de controle e manipulação emocional por parte de seu ex-parceiro, sem mencionar seu nome. O sinalamento rapidamente se dirigiu hacia Nacho Levy, referente de La Garganta Poderosa.
| Cronologia das acusações | Detalhe |
|---|---|
| Cecilia Ce | Primeira em denunciar publicamente mediante publicações no Instagram sobre controle e manipulação emocional |
| Gloria Carrá | Ex-parceira de Levy, atriz argentina reconhecida, deixou uma mensagem pública de apoio a Ce |
| Sofía Monachelli | Segunda mulher em se somar às acusações. Relação aproximadamente entre 2007-2009 |
A jornalista Julia Mengolini, condutora do programa Segurola y Habana na rádio Futurock (meio de comunicação argentino muito popular entre setores progressistas), recebeu críticas nas redes sociais por sua postura diante das acusações. Mengolini havia expressado que preferia esperar antes de se pronunciar sobre o caso.
Ante as acusações de "dupla vara feminista", Mengolini respondeu em suas redes:
"Às pessoas que me xingam dia sim dia não por um recorte que viram de algo que não gostaram: Os convido a escutar os programas inteiros. Talvez não se 'desiludam' dia sim dia não ou pelo menos podem me xingar com um pouquinho mais de fundamento".
Mengolini também lançou uma frase que gerou controvérsia: "Ou vão escutar Beto Casella. Não vai dizer nada que os incomode", em referência ao condutor de rádio argentino.
La Garganta Poderosa é uma organização social e meio de comunicação alternativa que trabalha em bairros populares da Argentina (conhecidos como villas miseria). Nacho Levy é um de seus referentes mais reconhecidos. A organização se caracteriza por seu trabalho em defesa dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade e por sua revista de mesmo nome, que circula em todo o país.
Para estrangeiros: esta organização tem grande prestígio em setores progressistas argentinos por seu trabalho social em zonas marginalizadas, o que torna estas denúncias particularmente impactantes no cenário local.
Se você sofre violência de gênero: Na Argentina você pode se comunicar com a linha 144, gratuita e disponível as 24 horas, os 365 dias do ano. Também pode enviar uma mensagem de WhatsApp ao 11 2771 6553 ou um SMS ao 144.
No Brasil: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar) em caso de emergência.
Alfredo S. Quiroga