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Esteban Bullrich deixa o PRO após 20 anos: critica proteção a Manuel Adorni

25/06/2026 12:14 - Politica

Uma renúncia histórica

Esteban Bullrich, um dos fundadores do PRO (Proposta Republicana) junto a Mauricio Macri há mais de duas décadas, apresentou em 25 de junho de 2026 sua renúncia irrevogável ao partido. A decisão foi comunicada por meio de uma extensa carta dirigida ao atual presidente da agremiação e ex-presidente da Argentina.

O ex-senador nacional por Buenos Aires (2017-2023) e ex-ministro da Educação durante o governo Cambiemos explicou que sua saída responde a uma distância cada vez maior entre os princípios fundadores e as decisões atuais do partido. Bullrich, que se afastou da atividade política após ser diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), marcou um ponto de inflexão claro: a postura do PRO frente ao caso do chefe de Gabinete, Manuel Adorni.

O estopim: o caso Adorni

Em sua missiva, Bullrich foi contundente: A proteção brindada a Manuel Adorni foi, para mim, o fato que terminou por evidenciar essa distância. O dirigente sustentou que quando a conveniência política começa a pesar mais que a responsabilidade ética, a liderança perde seu sentido mais profundo.

O contexto é relevante: Adorni enfrenta uma moção de censura com 120 assinaturas das 129 necessárias no Senado argentino, impulsionada por suposto enriquecimento ilícito após detectar-se um incremento patrimonial de 775% em suas declarações. Uma sessão de interpelação programada para 25 de junho de 2026 fracassou por falta de quórum, com apenas 117 presentes dos 129 necessários.

O chefe de Gabinete reconheceu omissões em suas declarações e atribuiu parte de seu incremento patrimonial a investimentos em criptomoedas realizados antes de ingressar ao Governo. O PRO havia emitido comunicados questionando o funcionário e até apresentou um projeto de moção de censura, mas Bullrich considerou que a resposta política não esteve à altura dos princípios fundadores.

Trechos da carta

Desde há um tempo me custa reconhecer em muitas decisões do partido o espírito que nos deu origem, escreveu Bullrich. Não se trata de diferenças táticas, nem de matizes próprios de qualquer força política. Trata-se de uma distância cada vez maior entre os princípios que dizemos defender e as decisões que finalmente adotamos.

Sobre sua doença, refletiu: Minha doença me obrigou a olhar a vida desde outro lugar. Me ensinou que o tempo é demasiado valioso para viver em contradição com a própria consciência.

Bullrich evitou rupturas pessoais com Macri: Mantenho para contigo um sincero reconhecimento por ter impulsionado um espaço que mudou para sempre o mapa político argentino. E fechou com um desejo: Oxalá o PRO possa reencontrar-se com o espírito que inspirou seu nascimento.

Reações

  • Maximiliano Ferraro (Coalizão Cívica): Acredito que estas palavras representam a muitos. Destaco sua coragem e dignidade.
  • Pablo Avelluto (ex-secretário de Cultura): Obrigado por tua dignidade. Escreveu palavra por palavra o que eu senti em 2023 quando o partido atou seu destino à extrema direita de Milei.
  • Diego Guelar (ex-embaixador): Bullrich representa a alma da proposta de centro direita democrática.
Contexto do caso Adorni

Moção de censura: 120 assinaturas de 129 necessárias.

Incremento patrimonial: 775% (de $20 milhões a $944 milhões).

Sessão fracassada: 117 presentes de 129 necessários.

Juiz encarregado: Ariel Lijo.

Adrián Ravier: designado novo porta-voz presidencial para substituir Adorni.

Um sinal simbólico para o PRO

A saída de Bullrich constitui um golpe simbólico para o partido. O dirigente integrou o núcleo fundador que acompanhou Macri desde os primeiros anos de construção política na Cidade de Buenos Aires. Representou durante anos um dos perfis mais moderados e dialoguistas da coalizão, o que amplia o impacto de sua renúncia em um momento de reconfiguração do arco opositor argentino.

Bullrich foi senador nacional até 2023, quando renunciou após seu diagnóstico de ELA. Seu livro Liderança espiritual recolhe reflexões sobre a vida pública desde sua experiência pessoal com a doença.

Contexto para leitores estrangeiros

PRO (Proposta Republicana) é um partido político argentino de centro-direita fundado em 2005, que governou a Argentina entre 2015-2019 com Mauricio Macri como presidente. Cambiemos foi a coalizão política que levou Macri à presidência, integrada pelo PRO, a União Cívica Radical e a Coalizão Cívica. Manuel Adorni é o atual chefe de Gabinete do governo de Javier Milei (presidente desde dezembro de 2023), respondendo pela coordenação ministerial e atos administrativos. A moção de censura é um mecanismo constitucional argentino para destituir ministros que respondem politicamente perante o Senado.

Fontes: Infobae | La Voz

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga