25/06/2026 09:56 - Internacionales
A candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma vantagem considerada irreversível na segunda volta das eleições presidenciais do Peru, segundo dados oficiais divulgados pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) — órgão equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral no Brasil. Com 99,86% das atas apuradas, Fujimori obteve 50,118% dos votos, enquanto seu rival, o esquerdista Roberto Sánchez, alcançou 49,882%.
A diferença supera os 43.386 votos, uma distância praticamente impossível de reverter quando restam apurar pouco mais de 39.300 sufrágios. De confirmar-se a tendência, Fujimori será proclamada oficialmente presidente eleita do Peru, embora as autoridades eleitorais ainda não tenham estabelecido uma data para formalizar o resultado. O prazo máximo vence em 15 de julho de 2026.
| Candidato | Porcentagem | Votos aprox. |
|---|---|---|
| Keiko Fujimori | 50,118% | +43.000 de diferença |
| Roberto Sánchez | 49,882% | - |
Fonte: ONPE - Apuração 99,86%
O Peru vive uma crise política sem precedentes na América do Sul
Apesar da vantagem mostrada pelos dados oficiais, Roberto Sánchez rejeitou os números divulgados pela ONPE e denunciou irregularidades no processo eleitoral. Sem apresentar provas concretas, o candidato sustentou que está em curso um "fraude em desenvolvimento" e afirmou que não reconhecerá uma eventual presidência de Fujimori.
"Nós não reconheceremos o governo da senhora Fujimori", declarou Sánchez, que foi ministro durante a gestão do expresidente Pedro Castillo — atualmente cumpre uma condenação de 11 anos de prisão por conspiração para rebelião.
Segundo explicou, as supostas irregularidades estariam vinculadas principalmente ao voto emitido pelos peruanos residentes no exterior, especialmente em países como Estados Unidos e Japão, onde a candidata conservadora obteve mais de 63% dos sufrágios. O líder de esquerda convocou "mobilizações históricas" para defender o voto do chamado "Peru profundo", onde obteve vitória em 16 regiões do país.
Keiko Sofía Fujimori Higuchi (51 anos) é uma das figuras mais conhecidas da política peruana e chega a esta eleição após várias tentativas frustradas de alcançar a presidência (2011, 2016, 2021). É filha do falecido expresidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e morreu em 2024 depois de ter cumprido uma condenação de 15 anos de prisão por crimes vinculados a violações de direitos humanos e corrupção.
Será a primeira presidente eleita do país — Dina Boluarte foi presidente por sucessão constitucional após a destituição de Castillo —, e sua proclamação está prevista para 28 de julho de 2026.
Seu lema de campanha foi "Vuelve Fujimori, vuelve el orden" ("Volta Fujimori, volta a ordem"), com foco na crise de insegurança que atravessa o país, o tema que mais preocupa os peruanos, com um aumento de homicídios e extorsões. Prometeu organizar patrulhas com militares nas ruas, expulsão imediata de imigrantes que cometam crimes e que os presos trabalhem por sua alimentação.
O cenário político regional mostra uma guinada para a direita. Fujimori estará cercada de aliados ideológicos em uma América Latina governada por mandatários de direita e extrema direita. Flávio Bolsonaro — aspirante ultradireitista à presidência do Brasil — parabenizou Fujimori por sua vitória, falando do "fortalecimento da cooperação entre as nações sul-americanas" na luta contra "o narcoterrorismo transnacional".
Durante a campanha, Fujimori também recebeu o apoio de Abelardo de la Espriella, o novo presidente eleito da Colômbia que venceu as eleições em 21 de junho de 2026 com 49,66% dos votos.
O Peru é um país andino de aproximadamente 34 milhões de habitantes, que passou por uma década de grande instabilidade política. Desde 2018, o país teve 8 presidentes diferentes, incluindo renúncias, destituições por congresso e até um suicídio presidencial.
Fuerza Popular é um partido de direita fundado por Keiko Fujimori em 2009, herdeiro político do fujimorismo — movimento ligado ao governo autoritário de Alberto Fujimori (1990-2000). É especialmente forte nas áreas urbanas e entre a população de renda média e alta.
O "Peru profundo" refere-se às regiões rurais e tradicionalmente pobres do país, onde o voto é mais inclinado à esquerda e onde Sánchez obteve melhor desempenho. Esta divisão geográfica reflete as profundas desigualdades sociais do país.
Alfredo S. Quiroga