23/06/2026 15:50 - Politica
A sessão especial convocada pela oposição para esta terça-feira na Câmara de Deputados fracassou por falta de quórum, após um acordo de última hora entre o governo do La Libertad Avanza e os blocos aliados do PRO e da UCR. Apenas 117 legisladores estiveram presentes, quando eram necessários 129 para iniciar o debate.
A jogada política, orquestrada pelo presidente da Câmara Baixa, Martín Menem, permitiu ao governo ganhar tempo em meio ao escândalo que envolve o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, investigado por suposto enriquecimento ilícito após um incremento patrimonial de 775% (de $20 milhões a $944 milhões).
A contraproposta do governo chegou pouco antes da sessão. Martín Menem impulsionou a convocação da comissão de Assuntos Constitucionais para a próxima terça-feira, 30 de junho, às 15 horas, onde começará a ser tratado o expediente de interpelação contra Adorni.
Desde o PRO argumentaram que "tinha mais sentido por uma questão de vinculação política que o coordenássemos com o governo, a que o votássemos com o kirchnerismo". Cristian Ritondo, chefe da bancada amarela, conseguiu assim uma saída intermediária que evitou defender publicamente Adorni enquanto mantinha a aliança com o Governo.
Contexto chave: Esta seria a primeira vez desde a criação da figura de chefe de Gabinete (Constituição de 1994) que o Congresso aplicaria uma moção de censura. O governo argumenta que querem ser "sérios" e evitar sentar um mau precedente.
Existe uma disputa interpretativa sobre o artigo 101 da Constituição que ainda não se resolveu:
O artigo 101 "tem caráter operativo", por isso a interpelação não deveria passar por comissão. Ameaçavam votar por maioria absoluta (metade mais um).
O pedido de interpelação deve passar primeiro por comissão para obter parecer, ou ser aprovado "sobre a mesa" com maioria de dois terços (impossível para a oposição).
"Ao longo da história o Congresso sempre entendeu que o artigo 101 da Constituição não era operativo, por isso há uma dúzia de projetos apresentados para regulamentar seu funcionamento. Os antecedentes estão do nosso lado."
| Data | Evento | Relevância |
|---|---|---|
| 30/06/2026 | Comissão Assuntos Constitucionais inicia debate | Começa tratamento em comissão |
| 02/07/2026 | Adorni apresenta-se no Senado | Relatório de gestão e perguntas sobre patrimônio |
| Sem data | Comissão Petições, Poderes e Regimento | Ainda não foi convocada |
O deputado radical dissidente Pablo Juliano (Províncias Unidas) criticou duramente o acordo:
"Vocês (a UCR) estão condenando a Argentina a uma crise institucional. Vocês que creem que podem fazer pensar por um instante à sociedade que lhes serve sustentar Adorni. Não há problema, a sentença mais importante já a carrega sobre seus ombros, e a sentença a tem a gente, que é um corrupto, que mentiu à gente, que nos mentiu ao Congresso."
Por sua vez, o socialista Esteban Paulón alertou:
"Ganharam alguns dias, não para que Adorni arrume os números porque já tentou e não pôde. O próprio Milei sabe que Adorni é um 'prego' que não pode continuar arrastando."
O acordo permitiu ao governo matar dois pássaros com uma pedra:
O tema é derivado a comissão sem data de parecer, o que afasta a votação do plenário.
Na quarta-feira serão tratados o Súper RIGI e o pagamento a dois fundos abutres com vencimento no fim do mês.
A moção de censura contra Manuel Adorni soma 120 das 129 assinaturas necessárias. O chefe de Gabinete permanece em seu cargo apesar de ter perdido a porta-voz presidencial, cargo que agora ocupa o economista e deputado Adrián Ravier.
O juiz federal Ariel Lijo tem a seu cargo a causa por suposto enriquecimento ilícito. O patrimônio questionado mostra um incremento de 775%, passando de $20 milhões a $944 milhões declarados.
A expectativa do governo é que o PRO e a UCR repliquem no Senado a mesma estratégia: exigir que o projeto do peronismo passe primeiro por comissão antes de votar-se no plenário.
Alfredo S. Quiroga