22/06/2026 03:07 - Internacionales
Abelardo de la Espriella, un hombre de 47 años con cabello corto y traje oscuro, da un discurso de victoria en Barranquilla detrás de un vidrio antibalas, rodeado de banderas colombianas y una multitud celebrando con carteles de su movimiento Defensores de la Patria.
Em uma jornada eleitoral histórica, Abelardo de la Espriella, advogado penalista de 47 anos e fundador do movimento de extrema-direita Defensores de la Patria, impôs-se na segunda volta das eleições presidenciais colombianas com 12.941.992 votos, representando 49,71% do eleitorado, segundo o 99,84% das mesas escrutadas. Seu rival, Iván Cepeda, candidato do oficialista Pacto Histórico e apoiado pelo presidente cessante Gustavo Petro, obteve 12.694.863 votos (48,64%). A diferença entre ambos foi de apenas 247.000 sufrágios, refletindo uma sociedade profundamente dividida.
De la Espriella, que se define como admirador de Javier Milei, Donald Trump e Nayib Bukele, liderou uma campanha baseada na "mão dura" contra o crime organizado, a corrupção e as "castas políticas", prometendo restaurar a ordem pública e reativar a economia através de políticas de livre mercado.
A trajetória de De la Espriella até a presidência é peculiar. Em 2024, o bem-sucedido advogado penalista mudou-se para Florença, Itália, para afastar-se do exercício do direito. No entanto, foi precisamente do exterior que começou a gestar sua incursão política, retornando à Colômbia para fundar Defensores de la Patria em julho de 2025 e lançar-se como candidato.
Sua plataforma centrou-se em uma crítica feroz ao governo de Gustavo Petro, prometendo desmantelar o que denominou "o modelo socialista fracassado" e recuperar a segurança perdida. Suas propostas incluíram a reativação das fumigações contra cultivos ilícitos, o fortalecimento das Forças Armadas e a construção de megaprisões inspiradas no modelo salvadorenho.
Javier Milei foi um dos primeiros a reagir, publicando um comunicado oficial da Casa Rosada: "O Leão e o Tigre rugem na Latinoamérica... Já não há volta atrás à mudança que a região iniciou em 2023". O presidente argentino destacou que a vitória representa um "contundente rejeição às ideias de extrema esquerda que tanto dano fizeram à região".
Por sua vez, Donald Trump celebrou o resultado em sua rede social Truth Social com uma mensagem concisa: "Ele ganhou, de forma grandiosa". O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou ter conversado com o presidente eleito para parabenizá-lo e expressou o interesse da Administração Trump em trabalhar em segurança regional, fim da imigração ilegal aos Estados Unidos e fortalecimento de laços econômicos.
Apesar da clara tendência da pré-contagem, o candidato Iván Cepeda não reconheceu os resultados como "oficiais e vinculantes" e anunciou a impugnação de 31.000 mesas em todo o país, alegando irregularidades. O presidente Gustavo Petro também questionou o processo, argumentando que "é o escrutínio que determina quem é o presidente" e ordenou ao diretor da Polícia garantir o cuidado dos votos em Bogotá e Medellín.
O presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Cristian Quiroz, explicou que os resultados definitivos serão conhecidos após o escrutínio legal que, segundo estimativas, poderia demorar "um dia, dia e meio", similar ao ocorrido na primeira volta do 31 de maio de 2026, onde De la Espriella obteve 43,74% e Cepeda 40,90%.
De la Espriella, em seu discurso de vitória em Barranquilla, proclamou: "Colômbia, aqui está teu presidente" e prometeu ser "o presidente de todos os colombianos", garantindo que "não haverá vencedores nem vencidos, não haverá perseguidos". No entanto, também advertiu seus detratores: "Abstenham-se de desatar um incêndio social. Aqui não vai haver uma terceira volta nas ruas".
O novo mandatário, casado desde 2008 com Ana Lucía Pineda e pai de quatro filhos, assumirá em 7 de agosto de 2026 para um período que se estenderá até 2030, enfrentando os desafios de governar um país dividido quase pela metade, com uma forte demanda de segurança e uma oposição que promete ser férrea.
Primeira volta (31/05/2026): De la Espriella 43,74% vs Cepeda 40,90%.
Voto no exterior: De la Espriella ganhou nos Estados Unidos, Canadá e Venezuela; Cepeda na Argentina e Brasil.
Figura chave: O senador Miguel Uribe Turbay, assassinado durante a campanha, foi mencionado por De la Espriella como uma homenagem em seu triunfo.
Casa de Nariño: É a sede da presidência da Colômbia, equivalente ao Palácio da Alvorada no Brasil ou a Casa Rosada na Argentina.
Alfredo S. Quiroga