19/06/2026 15:04 - Internacionales
Primera ministra italiana Giorgia Meloni y presidente Donald Trump en una conversación tensa durante la cumbre del G7, representando el conflicto diplomático actual.
A relação entre Itália e Estados Unidos, tradicionalmente sólida, sofreu um duro golpe em 19 de junho de 2026 após declarações do presidente americano, Donald Trump, à cadeia de televisão italiana La7. Em entrevista, Trump afirmou que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, havia "suplicado" tirar uma foto com ele durante a recente cúpula do G7 realizada na França, e que ele aceitou por "pena". Estas palavras, que Meloni descreveu como "completamente inventadas" e que "ofendem toda a Itália", detonaram uma resposta diplomática contundente.
Contexto para quem não conhece: O G7 é um grupo de sete das economias mais avançadas do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá), que se reúnem periodicamente para discutir questões econômicas e políticas globais. Giorgia Meloni é a primeira-ministra italiana desde 2022 e líder do partido Irmãos da Itália, de direita.
Segundo a transcrição divulgada pela La7, Trump declarou: "Me suplicou que tirasse uma foto com ela. Queria uma foto comigo com tanta vontade. Não o teria feito, mas me deu pena". Além disso, acrescentou: "Provavelmente está contente que falei com ela. Não tinha que fazê-lo".
Diante disso, Meloni reagiu com um vídeo publicado em suas redes sociais. "As declarações de Donald Trump são totalmente inventadas. Sinceramente, estou atônita", começou. "Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta assim com seus aliados. Além disso, não é a primeira vez que isso acontece", acrescentou.
A primeira-ministra italiana, que foi a única líder europeia a comparecer à posse de Trump em 2025, lançou uma crítica implícita mas direta: "Só posso dizer que lamento que não demonstre a mesma determinação com os inimigos do Ocidente, com os inimigos dos Estados Unidos, com uns líderes com os quais se mostra muito mais complacente". Concluiu com uma frase que resume a postura de seu governo: "Mas há que lembrar uma coisa: a Itália e eu nunca mendigamos".
Este intercâmbio de declarações marca um forte deterioramento na relação bilateral, apenas dias depois de que a cúpula do G7 mostrasse sinais de estabilização. Trump e Meloni, outrora aliados próximos, protagonizaram vários desencontros no último tempo, principalmente devido a diferenças sobre a guerra no Irã e as críticas do presidente americano ao Papa Leão XIV por sua postura sobre o conflito.
No início de 2026, Meloni classificou como "inaceitáveis" as críticas de Trump ao Pontífice. Trump, por sua vez, replicou acusando Meloni e a Itália de falta de coragem e ajuda insuficiente no conflito iraniano. Esta nova controvérsia ameaça aprofundar a fissura entre Washington e um de seus mais tradicionais aliados europeus.
Um alto funcionário italiano, Giovanbattista Fazzolari, subsecretário no gabinete de Meloni, atacou com dureza: "Não está claro se por intenção ou ineptidão, (Trump) está destruindo as históricas relações entre Estados Unidos e Europa. Com seus exabruptos inapropriados, conseguiu algo nada fácil: fazer que os Estados Unidos sejam impopulares em todo o continente europeu, danificando não só a Europa mas sobretudo aos Estados Unidos".
O ministro Tajani tinha planejado viajar aos Estados Unidos no início da próxima semana para participar do Fórum de Negócios, Investimento, Ciência e Inovação Itália-Estados Unidos em Miami, e se reunir com o Secretário de Estado, Marco Rubio, para impulsionar a cooperação bilateral em matéria de segurança econômica e minerais críticos, segundo comunicado do Departamento de Estado. Essa agenda foi suspensa como demonstração do descontentamento do governo italiano.
O incidente ocorre em um momento crítico da geopolítica global, após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã assinado em 17 de junho de 2026. A tensa relação entre Trump e vários aliados europeus se soma aos desafios que enfrenta o Ocidente em um cenário internacional cada vez mais complexo.
Alfredo S. Quiroga