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Santa Cruz rejeita dívida de 600 milhões e governador denuncia desestabilização

15/06/2026 03:20 - Politica

Recinto legislativo provincial con diputados en sesión tensa, banderas argentinas en fondo, ambiente de debate político

A Legislatura de Santa Cruz freou o projeto de endividamento mais ambicioso da gestão Vidal

O projeto buscava autorizar a tomada de dívida de até USD 600 milhões para financiar obras de infraestrutura. A oposição conseguiu pelo menos 10 votos contra, impedindo alcançar os 16 necessários para aprovar a iniciativa.

O que aconteceu na sessão de 12 de junho

A Câmara de Deputados de Santa Cruz tratou o projeto da Lei de Financiamento Estratégico Provincial em uma sessão extraordinária que se estendeu por mais de três horas. Ao finalizar o debate, a iniciativa foi devolvida às comissões após não lograr os votos necessários para sua aprovação.

Segundo informou La Izquierda Diario, o projeto precisava de uma maioria especial de dois terços (16 votos) para sua aprovação. O bloco oficialista Por Santa Cruz conta com apenas 10 legisladores próprios, por isso devia construir consensos com outras forças. No entanto, a oposição manteve uma posição firme contra a iniciativa.

Dados chave Informação
Valor solicitado USD 600 milhões
Votos necessários 16 (dois terços)
Votos oficialistas 10 legisladores
Votos opositores Pelo menos 10 contra

A denúncia de Vidal: Buscam desestabilizar meu governo

Após a rejeição legislativa, o governador Claudio Vidal denunciou publicamente o que considerou uma tentativa de desestabilização contra sua administração. O mandatário apontou contra legisladores alinhados com o kirchnerismo (movimento político argentino ligado aos ex-presidentes Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner) e questionou que setores que no passado aprovaram ferramentas similares agora se oponham à iniciativa.

Muitos dos que hoje colocam obstáculos são os que votaram as mesmas ferramentas anos atrás. Por que antes sim e agora não?

Claudio Vidal, governador de Santa Cruz

A gestão de Vidal começou em 2023, finalizando mais de três décadas de governos kirchneristas na província, o que reconfigurou o mapa político local e gerou fortes disputas entre o Executivo e a oposição.

O que estabelecia o projeto rejeitado

A iniciativa contemplava a possibilidade de tomar dívida em moeda estrangeira para financiar investimentos em diferentes localidades santacruzes. Segundo o governo provincial, os fundos seriam destinados a:

  • Projetos energéticos estratégicos
  • Melhorias em sistemas de abastecimento de água
  • Infraestrutura para reduzir custos operativos
  • Obras de conectividade e desenvolvimento produtivo

O ministro de Economia provincial, Ezequiel Verbes, explicou que o objetivo era avançar em iniciativas que permitam que Santa Cruz deixe de depender exclusivamente de atividades conjunturais e consolide uma matriz econômica mais diversificada.

Os argumentos da oposição

A oposição expressou reparos sobre as condições do endividamento e questionou a possibilidade de comprometer recursos futuros da província. Entre os pontos mais questionados estão:

Objeções principais
  • Prorrogação de jurisdição a tribunais estrangeiros
  • Renúncia parcial a imunidades soberanas
  • Uso de royalties hidrocarburíferos como garantia
  • Utilização de fundos de coparticipação federal
Propostas alternativas
  • Buscar recursos no déficit orçamentário nacional
  • Priorizar fundos para salários e serviços essenciais
  • Utilizar royalties mineradores e petrolíferos

O contexto de crise social em Santa Cruz

A rejeição ao endividamento se produz em um cenário particularmente complexo para a província patagônica. Diversos setores mantêm medidas de força que incluem:

Conflitos ativos

Grees docentes: Os sindicatos ADOSAC e AMET mantêm medidas de força por salários que não cobrem a cesta básica, com greves de até 96 horas.

Conflito policial: A polícia provincial realiza recusas de colaboração e ocupações de delegacias. O governo ofereceu um aumento escalonado de $1.200.000 (pesos argentinos) que foi rejeitado.

Desemprego petrolífero: Perderam-se mais de 5.000 postos de trabalho no Golfo San Jorge após a retirada de YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales, empresa estatal argentina de energia), afetando localidades como Las Heras, Caleta Olivia, Pico Truncado e Cañadón Seco.

Diversos sindicatos sustentam que os fundos para obras deveriam sair dos royalties mineradores e petrolíferos, não de créditos externos que beneficiam sempre os mesmos.

Antecedentes que alimentam a desconfiança

A rejeição ao endividamento se alimenta de antecedentes recentes que geraram preocupação em diversos setores:

2 de abril de 2025

YPF aportou USD 200 milhões para remediar o passivo ambiental após sua retirada. Esse dinheiro nunca se utilizou para fechar os mais de 1.000 poços abandonados.

9 de abril de 2026

A Legislatura aprovou por unanimidade o aumento de royalties mineradores do 3% ao 5% para financiar obras e melhoras salariais.

1 de junho de 2026

O Poder Executivo vetou a lei de royalties e apostou ao endividamento em dólares com organismos estrangeiros.

As alianças políticas contra o endividamento

O projeto enfrentou uma oposição transversal que incluiu a múltiplas forças políticas. Segundo Letra P, Unión por la Patria (coalizão política argentina de centro-esquerda), a União Cívica Radical (partido político argentino de centro) e La Libertad Avanza (coalizão política argentina de direita) se manifestaram contra de autorizar o endividamento.

O deputado provincial Carlos "Carloncho" Godoy, de Unión por la Patria, advertiu que forçar o tratamento sem ter terminado de debater foi um erro muito grande do Executivo provincial, e criticou a mobilização de ônibus desde diferentes localidades hacia Río Gallegos (capital da província de Santa Cruz).

Antes da sessão, um grupo de deputados opositores apresentou uma nota ante o Tribunal Superior de Justiça de Santa Cruz para solicitar que se garantissem as condições para o normal funcionamento da Câmara, dado o clima de tensão gerado pelos protestos policiais e sociais.

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