A advogada e ativista argentina Nadia Beller, que sobreviveu a um atentado a tiros na Bolívia, denunciou uma nova ameaça: um homem vestido de civil tentou entrar no seu quarto no hospital. Ele disse que era policial, mas fugiu quando questionado. Beller liga o episódio ao atentado e fala em 'crime de Estado'.

A advogada e ativista argentina Nadia Beller, que sobreviveu a um atentado a balas na Bolívia, denunciou um novo episódio de insegurança. Enquanto estava internada na Clínica Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, um homem vestido de civil tentou entrar no seu quarto.

O que aconteceu

Segundo Beller, o homem se apresentou como policial e pediu para entrar. Mas, ao ser questionado por não estar uniformizado, ele disse que iria trocar de roupa e nunca mais voltou. A situação foi comunicada à polícia boliviana.

A vestimenta do suspeito – jaqueta amarela, jeans desgastado e tênis brancos – foi comparada por Beller com imagens de um homem visto perto do hotel no dia do atentado. Ela publicou um comparativo nas suas redes sociais para embasar a denúncia.

Para a advogada, o caso tem relação direta com o ataque e deve ser tratado como um 'crime de Estado'. Ela responsabiliza o comando da polícia e o Ministério do Governo da Bolívia e exige que o suspeito seja identificado.

O atentado de 17 de agosto

Nadia Beller foi baleada no dia 17 de agosto, quando chegava ao Swissôtel para uma reunião com um suposto informante que lhe daria dados sobre o ex-presidente Evo Morales. Dois atiradores de moto dispararam e levaram o celular dela. Três tiros atingiram a advogada.

A justiça boliviana apontou o ex-companheiro dela, o consultor político Fernando Cerimedo, como mandante do crime. Ele foi preso e, na 21 de agosto, recebeu prisão preventiva de 180 dias na penitenciária de Palmasola. Cerimedo nega as acusações.

Também foi detido Róger A.C., suspeito de ter fornecido a arma usada. Um colombiano, apontado como possível atirador, se entregou voluntariamente e nega participação. Os dois homens que estavam na moto continuam foragidos.

A outra denúncia: os áudios de corrupção

Em meio à recuperação, Beller também revelou que a gravação de Diego Spagnolo, ex-diretor da Agência Nacional de Discapacidade (Andis), foi divulgada por Cerimedo e sua esposa Natalia Basil, ex-funcionária do órgão. As gravações envolvem altos funcionários do governo argentino e causaram forte impacto no Executivo do presidente Javier Milei.

Principais dados

  • Data do atentado: 17 de agosto
  • Local: Santa Cruz de la Sierra
  • Tiros: 3
  • Presos: Fernando Cerimedo, Róger A.C.
  • Prisão preventiva: 180 dias
  • Foragidos: 2 atiradores
  • Novo incidente: tentativa de invasão