15/07/2026 12:04 - Judiciales
Para entender este caso, é preciso saber que a Asociación del Fútbol Argentino (AFA) é a entidade máxima que governa o futebol na Argentina, equivalente à CBF no Brasil. A controvérsia gira em torno de uma luxuosa mansão localizada na cidade de Pilar, uma área nobre e residencial nos arredores de Buenos Aires, avaliada em 17 milhões de dólares.
Segundo informou o portal Infobae, o conflito sobre qual tribunal deve conduzir a investigação se arrasta desde o início do processo, passando por diferentes jurisdições federais argentinas, como Comodoro Py, o foro Penal Econômico e os tribunais de Zárate-Campana.
Na terminologia jurídica argentina, 'testaferro' refere-se à pessoa que empresta seu nome para esconder o verdadeiro dono de um bem ou empresa, uma figura semelhante ao que conhecemos no Brasil como 'laranja'. Em meados de maio de 2026, a Câmara de Cassação havia anulado o envio do caso ao Juizado Federal de Campana, a cargo do juiz Adrián González Charvay, ordenando que a disputa fosse resolvida na Câmara Nacional Penal Econômica. Isso fez com que o caso recaísse sobre o Juizado Federal Penal Econômico N° 10, da juíza María Verónica Straccia.
No entanto, a defesa dos supostos testaferros Luciano Nicolás Pantano - um dirigente de segunda linha do futebol - e de sua mãe, Ana Lucía Conte, opuseram-se à transferência. Ambos figuram nos documentos como proprietários do imóvel através da empresa Real Central SRL, mas a acusação sustenta que eles nunca tiveram o dinheiro para adquirir a mansão, seus luxos e a coleção de carros e motos de alta gama que abrigava. As suspeitas apontam que, por trás desses prestanomes, estariam o presidente da AFA, Claudio Chiqui Tapia, e o tesoureiro Pablo Toviggino.
O advogado de defesa Mariano Morán argumentou que a decisão afetava a garantia constitucional do juiz natural (o direito a ser julgado por um juiz competente e pré-estabelecido). Após ser rejeitado inicialmente pela Sala A da Câmara Penal Econômica, Morán recorreu diretamente à Câmara de Cassação através de um recurso de queixa.
O tribunal fixou uma audiência fundamental para o próximo 12 de agosto de 2026, às 11:30 horas, onde as partes exporão seus argumentos antes de uma resolução definitiva. Esta decisão mantém aberta a discussão sobre o rumo da investigação e se o caso permanece na cidade de Buenos Aires ou retorna à jurisdição da província de Buenos Aires.
Alfredo S. Quiroga