13/07/2026 21:35 - Internacionales
O Supremo Tribunal Federal do Brasil proibiu nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, que o pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, até o fim do primeiro turno eleitoral de outubro. A medida foi tomada pelo juiz Alexandre de Moraes após o senador divulgar uma mensagem política do ex-mandatário através das redes sociais.
O conflito originou-se no sábado passado, quando o ex-presidente entregou ao filho uma carta manuscrita dirigida «aos brasileiros» durante uma visita. No texto, Bolsonaro pedia aos seguidores unidade em torno da candidatura de Flávio, que atravessa dificuldades na campanha.
O senador leu o documento em uma transmissão no YouTube, o que foi considerado por Moraes como uma possível «propaganda eleitoral antecipada». Diante disso, o magistrado solicitou à justiça eleitoral a abertura de uma investigação formal.
Jair Bolsonaro, de 71 anos, cumpre uma pena de 27 anos e está em prisão domiciliar desde março por motivos de saúde. O ex-chefe de Estado tem proibição de se expressar publicamente, inclusive por intermédio de terceiros, no âmbito do processo que investiga uma tentativa de golpe em 2022.
A proibição de visitas é válida por um período de 90 dias, prazo que inclui as eleições presidenciais do próximo 4 de outubro. A defesa de Jair Bolsonaro tem agora 48 horas para apresentar explicações sobre a «possível desobediência».
Da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, o advogado Tracy Reinaldet questionou a constitucionalidade da medida e anunciou que recorrerão da suspensão. O advogado afirmou que a decisão judicial leva o ex-presidente a um estado de «incomunicabilidade».
No âmbito político, o senador Rogério Marinho, líder da oposição, qualificou a resolução como uma «clara interferência no jogo político». A medida ocorre enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro perde força após a revelação de vínculos com um banqueiro processado por fraude.
Apesar dos conflitos internos e de uma recente disputa pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro, o senador continua sendo o candidato mais forte da direita. Seu objetivo principal é enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará um quarto mandato.
Alfredo S. Quiroga