11/07/2026 09:04 - Politica

O governo do presidente argentino Javier Milei está tentando promover uma grande reforma política para extinguir as eleições primárias (PASO) antes das eleições de 2027. Para um espectador estrangeiro, é importante entender que as PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) são um sistema único na Argentina, onde todos os partidos devem votar internamente no mesmo dia para definir seus candidatos. O Chefe de Gabinete, Diego Santilli, é o principal articulador dessa medida.
No entanto, os aliados do partido PRO (centro-direita, fundado por Mauricio Macri) temem ficar sem representação política. O líder da bancada macrista, Martin Goerling, garantiu que seu bloco não votará a favor da revogação sem antes obter garantias executáveis. O medo do PRO é que, sem as primárias e com a permissão de listas coletoras (listas conjuntas onde diferentes partidos se unem sob um mesmo candidato a presidente, mas com candidatos a legisladores diferentes), eles dependerão da boa vontade do partido libertário para garantir lugares nas listas.
Em 9 de julho, a senadora Patricia Bullrich declarou que as listas coletoras deformam o sistema político. Para ela, esse esquema transfere a primária para a eleição geral, criando duas listas diferentes penduradas no mesmo binômio presidencial. Isso gera uma disputa perigosa, pois se o partido La Libertad Avanza (LLA) de Milei ficar com a lista completa, os aliados podem ficar de fora.
Para aprovar a reforma, o oficialismo precisa de 37 senadores, mas atualmente conta com apenas 21. A chave para os votos está nos governadores provinciais que têm peso político, mas não têm candidato próprio à presidência. Entre eles estão os radicais (UCR) Alfredo Cornejo, Leandro Zdero, Carlos Sadir, Juan Pablo Valdes e Maximiliano Pullaro, e os do PRO Rogelio Frigerio, Ignacio Torres, Mauricio Macri e Alfredo De Angeli.
Além disso, as posições dos governadores peronistas estão divididas: enquanto Osvaldo Jaldo (Tucumán) rejeita a eliminação, Raúl Jalil (Catamarca) é a favor. O bloco de 25 senadores peronistas se mantém firme em sua oposição à reforma.
| Bloco Político | Posição sobre a Eliminação das PASO |
|---|---|
| PRO (Macrismo) | Exige garantias executáveis |
| Peronismo (Senadores) | Rejeita a reforma (25 votos) |
| Governadores Peronistas | Divididos (Jaldo contra, Jalil a favor) |
Fonte: La Politica Online
Alfredo S. Quiroga