09/07/2026 21:13 - Politica
Por imago.com.ar | 09 de julho de 2026
No contexto das celebrações do 210º aniversário da Declaração de Independência da Argentina, o presidente Javier Milei e seu gabinete participaram do tradicional Tedeum celebrado na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. A cerimônia foi conduzida pelo arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, que aproveitou sua homilia para enviar uma forte mensagem à classe política sobre a necessidade de se afastar da corrupção e da intolerância.
No entanto, a Casa Rosada (sede do governo argentino) decidiu adotar uma postura discreta. Fontes do Executivo afirmaram que o discurso religioso não gerou repercussão interna e foi classificado como uma homilia normal. A estratégia oficial foca em evitar um novo conflito com a Igreja, especialmente em um cenário em que o governo espera uma eventual visita do Papa Leão XIV à Argentina.
Durante sua intervenção, o arcebispo referiu-se à necessidade de erradicar as cuevas de corrupción (termo local para esquemas de corrupção ocultos) e alertou sobre o caminho da crueldade em direção aos mais fracos. Além disso, apelou ao clima festivo da Copa do Mundo de 2026 e citou uma publicação do capitão da Seleção Argentina, Lionel Messi, para destacar a importância da unidade entre os argentinos.
No governo, destacaram o encerramento da mensagem de García Cuerva, sinalizando que a menção a Messi e o apelo à unidade foram interpretados como um sinal menos confrontativo e mais alinhado ao discurso presidencial.
O Tedeum não esteve isento de polêmicas dentro da própria coalizão governista. A deputada do La Libertad Avanza (partido do presidente Milei), Lilia Lemoine, qualificou o arcebispo como peronista e classificou seus discursos como hipócritas e chatos em suas redes sociais. Diante disso, o governo se distanciou rapidamente das declarações da legisladora, garantindo que suas opiniões são de responsabilidade pessoal e não fazem parte de uma resposta institucional.
Após a cerimônia religiosa, Milei se reuniu com seus ministros na Casa Rosada para definir a direção do governo durante o segundo semestre. Este encontro marcou a primeira reunião desse porte com Diego Santilli à frente da Chefia de Gabinete, que assumiu o cargo em 30 de junho de 2026, após a saída de Manuel Adorni.
O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, reforçou a linha de união ao convocar a deixar para trás as divisões estéreis após a foto do presidente com governadores aliados na província de Tucumán. A prioridade do governo agora se concentrará em desbloquear a agenda parlamentar e avançar com projetos chave, como a reforma da Carta Orgânica do Banco Central.
Alfredo S. Quiroga