01/07/2026 03:10 - Politica
Para entender esta notícia, é preciso conhecer os protagonistas: Patricia Bullrich é a chefe do bloco libertário no Senado e ex-ministra de Segurança da Argentina. Karina Milei é a irmã e principal assessora do presidente Javier Milei, com grande influência nas decisões do governo.
Bullrich pretendia convocar para a terça-feira, 30 de junho de 2026, a reunião da Comissão de Trabalho Parlamentar (conhecida como "Labor"), que define quais projetos serão votados. O objetivo era realizar uma sessão na quinta-feira, mas fontes do governo confirmaram que a convocatória foi cancelada.
A sessão que Bullrich tentava impulsionar incluía dois projetos chave do ministro Federico Sturzenegger:
Senadores aliados de províncias como Flavia Royón (Salta), Carolina Moisés (Jujuy), Beatriz Ávila (Tucumán) e Carlos "Camau" Espínola (Corrientes) trabalharam em modificações ao capítulo de estrangeirização de terras.
Esta manobra ocorre em um momento delicado: Diego Santilli assumiu como novo chefe de Gabinete em 30 de junho de 2026, após a renúncia de Manuel Adorni (ex-porta-voz do governo) em 27 de junho de 2026, que enfrentava uma investigação por aumento patrimonial de 775%.
Bullrich havia defendido publicamente Adorni, gerando tensões internas que agora se trasladam para o Parlamento.
No sistema político argentino, a Comissão de Labor Parlamentar é o órgão que define a agenda de votações no Senado. É composta por representantes de diferentes blocos partidários e sua reunião prévia é indispensável para que uma sessão legislativa possa acontecer.
Fontes do oficialismo explicaram que cancelaram a sessão para Bullrich "por uma questão de organização da nova equipe" e "para não se adiantar às orientações de Karina", referindo-se à reunião que a secretária-geral da Presidência convocou com os legisladores oficialistas.
Comemoram a decisão os primos Martín Menem (presidente da Câmara de Deputados) e Lule Menem, que desde o início buscaram controlar politicamente o Senado e chocaram repetidamente com Bullrich.
Os aliados do governo também admitiram que a sessão poderia ser adiada para quinta-feira, 16 de julho de 2026, uma nova postergação para os projetos de Sturzenegger.
O Senado argentino tem 72 senadores, eleitos por província. O governo de Javier Milei não tem maioria própria, por isso precisa negociar com outras forças políticas. Esta disputa interna mostra como diferentes facções do oficialismo competem por influência.
Fonte: La Política Online
Alfredo S. Quiroga