29/06/2026 21:39 - Economia
Em uma extensa entrevista televisiva de domingo à noite, o presidente Javier Milei mostrou-se extremamente otimista quanto ao rumo da economia argentina. Garantiu que os "números são excelentes" e que a economia já entrou em um caminho de crescimento sustentado, impulsionado pelo consumo, investimento e exportações.
O Risco País é um indicador que mede a probabilidade de um país não cumprir suas obrigações financeiras. É calculado com base na diferença entre os juros pagos pelos títulos da dívida desse país e os dos títulos do Tesouro dos EUA. Quanto maior o número, maior o risco percebido pelos investidores.
Milei gerou polêmica ao afirmar que o risco país implícito nos títulos que vencem durante sua gestão é de apenas 60 pontos básicos. Esta cifra contrasta fortemente com o índice tradicional do J.P. Morgan, que marca valores de 420 a 430 pontos básicos. Segundo o mandatário, a diferença está em quais instrumentos são considerados como referência para o cálculo.
O presidente foi contundente em sua visão de futuro: "Se conseguirmos a reeleição a economia vai crescer como nunca antes na história argentina". Acrescentou que, ao reduzir o risco país, a economia "vai voar", prevendo um potencial de crescimento de 7 a 8% ao ano baseado em consumo, exportações e investimento.
Sobre a inflação, Milei reconheceu que a taxa de queda se tornou mais lenta que o esperado, mas atribuiu esta situação à "queda da demanda de dinheiro" e outros fatores do segundo semestre de 2025. No entanto, garantiu que "não vamos mudar a forma de fazer política monetária" e que "mais cedo ou mais tarde a inflação vamos liquidar".
Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), o presidente comparou o desempenho de sua gestão com a média histórica. Sinalizou que enquanto a economia argentina cresceu em média 1% ao ano nos últimos cem anos, durante sua administração cresceu a um ritmo de 10% nos dois primeiros anos, multiplicando por cinco a taxa histórica. Também destacou o dado do EMAE (Estimador Mensual de Atividade Econômica), que cresceu 2,3% no primeiro trimestre, com alta dessazonalizada de 0,7%.
A entrevista também abordou temas políticos candentes. Milei confirmou a saída de Manuel Adorni como chefe de Gabinete e sua substituição por Diego Santilli, que também manterá seu cargo como ministro do Interior, unificando ambas as funções. O presidente justificou esta decisão sinalizando que grande parte do trabalho de Santilli consistirá em manter o diálogo com os governadores, uma tarefa crucial para a governabilidade.
O RIGI (Régimen de Incentivos para Grandes Inversiones) é um regime especial criado pela gestão Milei para atrair grandes inversões estrangeiras à Argentina, oferecendo benefícios fiscais e garantias jurídicas para projetos de grande envergadura.
Milei mencionou que os investimentos comprometidos através do RIGI, avaliados em USD 150.000 milhões, começarão a se materializar de forma "fragmentada". Da mesma forma, projetou um "boom de consumo" impulsionado pelo aumento das aposentadorias à medida que a inflação baixe e pela recuperação dos rendimentos do trabalho formal, que segundo o mandatário "deixaram de cair e começam a crescer".
Alfredo S. Quiroga