25/06/2026 15:11 - Politica
Em menos de 15 minutos, Patricia Bullrich, presidente do Partido PRO (Proposta Republicana), desativou a sessão especial convocada pelo peronismo para esta quinta-feira, 25 de junho de 2026 no Senado argentino. O objetivo era avançar com uma possível interpelação a Manuel Adorni, o chefe de Gabinete questionado por um incremento patrimonial de 775%.
A manobra consistiu em instruir os senadores do La Libertad Avanza (LLA), partido do presidente Javier Milei, para que não se sentassem em suas cadeiras, impedindo assim alcançar o quórum de 37 legisladores necessário para iniciar o debate. A mensagem foi direta: "O Governo tem que tomar uma decisão: não podemos continuar com o chefe de Gabinete, isso paralisa o Congresso".
Partido de centro-direita fundado em 2005. Foi governado por Mauricio Macri (2015-2019). Atualmente liderado por Bullrich, é aliado de Milei mas mantém autonomia política.
Partido libertário fundado por Javier Milei, atual presidente da Argentina desde dezembro de 2023. Defende economia liberal e redução do Estado.
Também conhecido como Peronismo, é o movimento político mais importante da Argentina, fundado por Juan Perón. Atualmente está na oposição.
Partido histórico de centro-esquerda, fundado em 1891. Faz parte da oposição moderada e busca diálogo institucional.
Manuel Adorni enfrenta questionamentos por um incremento patrimonial extraordinário de 775%, passando de declarar 20 milhões de pesos para 944 milhões de pesos (aproximadamente 950.000 dólares ao câmbio atual). A crise política gerada inclui:
| Dado | Detalhe |
|---|---|
| Moção de censura | Acumula 120 assinaturas de 129 necessárias |
| Sessão de Deputados | Fracassou por falta de quórum (117 presentes de 129 necessários) |
| Novo porta-voz designado | Adrián Ravier substituirá Adorni |
| Citação no Senado | Adorni deve apresentar-se em 2 de julho de 2026 |
O juiz Ariel Lijo está a cargo da causa judicial que investiga o suposto enriquecimento ilícito.
É um mecanismo constitucional pelo qual o Congresso pode citar ministros para que deem explicações sobre sua gestão. Na Argentina, é uma ferramenta de controle político muito utilizada.
A moção de censura é um passo além: busca destituir um funcionário. Requer maioria qualificada de dois terços dos presentes para aprovar-se. Como o La Libertad Avanza tem mais de 90 legisladores, alcançar essa maioria é matematicamente impossível.
A comissão de Assuntos Constitucionais, presidida por Agustín Coto (LLA), reunir-se-á para tratar dos projetos contra Manuel Adorni apresentados tanto pelo PJ quanto pelo PRO.
Na Câmara de Deputados, o debate também foi derivado para a Comissão de Assuntos Constitucionais desde o 30 de junho de 2026. A oposição busca que Adorni dê explicações sobre sua evolução patrimonial, enquanto o oficialismo tenta desativar a crise sem ceder às demandas de renúncia.
O Congresso argentino está paralisado por uma disputa interna entre aliados. O PRO demonstra que não apoia incondicionalmente o governo de Milei, especialmente em casos de corrupção. Isso mostra as tensões dentro da coalizão governista e pode antecipar mudanças no cenário político do país sul-americano.
Alfredo S. Quiroga