20/06/2026 18:08 - Politica
Manifestación política con banderas argentinas en una plaza al atardecer, personas portando banderas y carteles, ambiente de protesta política
O peronismo, movimento político mais importante da Argentina fundado por Juan Domingo Perón na década de 1940, vive um momento de grande tensão interna. Para entender: dentro deste movimento existe uma corrente chamada kirchnerismo, liderada pela ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015), que atualmente está condenada a 6 anos de prisão por corrupção e inhabilitada para exercer cargos públicos.
A tensão se manifesta em dois atos simultâneos: por um lado, o kirchnerismo através da organização La Cámpora (grupo político juvenil fundado por Cristina) convoca uma bandeirada no Parque Lezama, em Buenos Aires, para reivindicar a liberdade da ex-presidente. Por outro, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, prepara seu próprio evento para 1 de julho de 2026 na quinta de San Vicente, pelo aniversário da morte de Perón.
Máximo Kirchner, filho de Cristina e de Néstor Kirchner (ex-presidente falecido em 2010), será o único orador do ato no Parque Lezama. Isso reforça o caráter "ultra K" do evento, demonstrando que o kirchnerismo continua exigindo que Cristina seja a candidata presidencial nas próximas eleições, argumentando que ela é a única dirigente que representa esse espaço político.
Kicillof, que foi ministro da Economia durante o governo de Cristina (2013-2015), agora lidera seu próprio espaço político chamado Movimiento Derecho al Futuro (MDF), funcionando como uma marca própria, separada do kirchnerismo duro. O governador se nega a liderar um rompimento que já está acontecendo no ecossistema peronista.
A presença de Kicillof no ato de 20 de junho de 2026 segue sendo uma incógnita. Haverá uma coluna do MDF para marcar presença, mas o kirchnerismo considera que isso não é suficiente. O universo K reclama de Kicillof um pronunciamento forte e o reconhecimento da liderança de Cristina Kirchner.
As versões mais firmes indicam que o governador optará por enviar uma delegação e preservar sua figura, agora independente do Instituto Patria, um centro de estudos políticos muito influente no kirchnerismo argentino, criado em 2013 como espaço de debate.
O Frente Renovador de Sergio Massa (ex-candidato presidencial em 2023 e ex-ministro da Economia) confirmou sua presença na bandeirada. Para contextualizar: Massa é um líder peronista que se separou do kirchnerismo em 2013 e criou seu próprio espaço político. O massismo busca se posicionar como articulador de um esquema de unidade que por enquanto não aparece no horizonte. A delegação estará encabeçada pela deputada nacional Cecilia Moreau e o político bonaerense Rubén Eslaiman.
O clima político se deteriorou ainda mais quando se difundiu um vídeo com declarações da legisladora portenha Berenice Iañez, que disse: "Cristina Kirchner enche muito os sacos". Desde o entorno da ex-mandatária replicaram: "Dizer que Cristina incomoda quando está presa, é cruzar um limite desde o humano".
Outra polêmica ocorreu com a senadora nacional Carolina Moisés, consultada sobre versões de indulto a Cristina Kirchner se o próximo presidente for peronista. Moisés respondeu: "Estão na Disney, qualquer peronista que te faça exatamente esse raciocínio. Primeiro, porque é impossível. Ninguém vai liberar Cristina".
O deputado Facundo Tignanelli (La Cámpora) questionou: "Reconhece que se como candidato diz que quer Cristina livre não chega a ser presidente. É saudável que expressem o que sentem e que reconheçam que Cristina presa para eles é uma oportunidade".
Peronismo: Movimento político argentino criado por Juan Domingo Perón (presidente entre 1946-1955 e 1973-1974), baseado na justiça social, soberania política e independência econômica. Kirchnerismo: Corrente dentro do peronismo liderada por Néstor e Cristina Kirchner, com forte presença desde 2003. La Cámpora: Organização política juvenil kirchnerista. Província de Buenos Aires: A mais populosa da Argentina, com 17 milhões de habitantes (quase 40% do país). Cristina Kirchner foi condenada em dezembro de 2022 por corrupção no caso conhecido como "Vialidad".
Alfredo S. Quiroga