20/06/2026 15:05 - Politica
Escena política tensa en un acto oficial en Argentina con funcionarios divididos en dos grupos, palco presidencial con banderas argentinas y monumento histórico de fondo
A temperatura beirava os 3 graus em Rosário quando o presidente Javier Milei chegou ao Monumento Nacional à Bandeira para presidir o ato de 20 de junho. Mas o verdadeiro frio estava nos corredores do poder: Milei cumpriu todo o seu gabinete, mas evitou sistematicamente qualquer contato com a vice-presidente Victoria Villarruel, no primeiro encontro público entre ambos em mais de um ano fora das aberturas de sessões no Congresso.
A imagem dizia tudo: enquanto cantavam o Hino Nacional, Villarruel foi a única funcionária que se manteve de costas para o palco onde estava Milei, olhando para a bandeira recém-içada. Um gesto que a deputada libertária Juliana Santillán qualificou como "infantil" e que a vice-presidente justificou com ironia: "Parece difícil cumprimentar uma vice-presidente em plena democracia".
"É um ato patriótico, não um ato para apoiar Adorni. Não há ninguém mais contrário aos valores de Belgrano do que ele". A vice-presidente também ironizou: "É uma péssima mensagem que não haja saudação, que não haja convite, que haja esta segregação".
"Foi rico e morreu pobre aos 50 anos, tendo entregado tudo pela sua Pátria". O presidente definiu Belgrano como o "primeiro intelectual liberal econômico argentino" enquanto Adorni o ouvia da primeira fila.
Manuel Adorni, o chefe de gabinete questionado por seu patrimônio que cresceu de $20 milhões para $944 milhões em pouco tempo, viajou a Rosário junto com Milei em um gesto de apoio presidencial. A deputada Marcela Pagano (ex-aliada libertária) lançou uma das críticas mais contundentes:
Marcela Pagano em X
"Em 1813 Belgrano renunciou a uma fortuna para criar escolas. Morreu pobre, sem poder pagar um médico, mas deixou escolas. Em 2026, um governo que jura que 'não há dinheiro' duplicou os diárias da Secretaria que comanda Karina Milei. Belgrano deixou escolas. Estes deixarão contas e dívidas".
O chefe de Governo porteño, Jorge Macri, também se juntou às críticas: "É um tema que está complicando o Governo inclusive para contar as coisas que estão bem". A moção de censura contra Adorni já soma 120 assinaturas das 129 necessárias no Senado, e a interpelação foi reprogramada para 25 de junho de 2026.
A organização do ato refletiu a fissura interna do oficialismo. Enquanto Milei, o governador Maximiliano Pullaro e o prefeito Pablo Javkin ocuparam as primeiras filas do palco, Villarruel foi colocada junto aos funcionários santafecinos, claramente separada do gabinete nacional. A deputada Lilia Lemoine, fiel aliada de Milei, não disfarçou: "Não, nem louca eu a cumprimento", disse quando perguntaram se cumprimentaria a vice-presidente.
| Localização no ato | Funcionários |
|---|---|
| Palco principal | Javier Milei, Maximiliano Pullaro, Pablo Javkin |
| Setor direito | Gabinete nacional (Caputo, Sturzenegger, Monteoliva, Pettovello, Adorni) |
| Setor esquerdo | Victoria Villarruel e funcionários de Santa Fé |
Karina Milei preparou uma foto de unidade com todo o gabinete em apoio a Adorni, mas Villarruel ficou deliberadamente excluída da imagem. O distanciamento entre ambos vem de longa data: a vice-presidente já havia sido excluída do te-deum de 25 de maio de 2025.
Enquanto a política nacional mostrava suas fissuras, o governador de Santa Fé, Maximiliano Pullaro, focou seu discurso nas conquistas locais. Com números contundentes, indicou que os homicídios em Rosário caíram 65% desde 2024 e que os tiroteios também se reduziram significativamente.
65%
Redução de homicídios
1840
Obras em andamento
$4.000M+
Investimento no Monumento
"Hoje em Rosário manda a lei e o medo mudou de lado", assegurou Pullaro, que agradeceu ao governo nacional o trabalho em segurança, mencionando especialmente a ex-ministra Patricia Bullrich e a atual ministra Alejandra Monteoliva. O governador também reivindicou mais infraestrutura federal: "Santa Fé produz e exporta. Precisamos que os recursos voltem em infraestrutura para acender o motor do interior produtivo".
O prefeito Pablo Javkin também aproveitou o cenário para reivindicar a transformação de Rosário: "O medo mudou de lado e mudou para sempre", disse diante da multidão que lotou as imediações do Monumento.
"Demos a volta na batalha contra os maus. Hoje o recebemos com um Rosário firme e de pé diante de nosso monumento", acrescentou Javkin, que destacou as mais de 60 obras de pavimentação, drenagem e espaços públicos realizadas nos bairros da cidade. Sua mensagem fechou com um apelo à unidade: "Estamos na cidade de mais de um milhão de pessoas boas que, com coragem, expulsou esse punhado de vermes mafiosos e deixou claro que nunca mais voltarão".
Enquanto Milei presidia o ato oficial, a Associação Trabalhadores do Estado (ATE) realizou um protesto paralelo na Plaza Pringles declarando o presidente "pessoa não grata em Rosário". "O presidente não é bem-vindo a Rosário nem tampouco a Santa Fé. É pessoa não grata porque suas políticas afetam a todos os que habitam a Argentina", declarou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE Nacional. O secretário de Cultura, Leonardo Cifelli, respondeu em X: "Este símbolo patriótico representa a liberdade, a história e os valores que nos unem como argentinos".
O 20 de junho de 2026 comemora-se o 206º aniversário do falecimento de Manuel Belgrano (20/06/1820). O herói, criador da bandeira celeste e branca, doou sua fortuna para fundar escolas e morreu empobrecido aos 50 anos. Milei o reivindicou como "o primeiro intelectual liberal econômico argentino", um conceito que gerou debates entre historiadores. O Monumento Nacional à Bandeira de Rosário foi reinaugurado após um investimento de mais de $4.000 milhões.
Alfredo S. Quiroga