16/06/2026 13:25 - Politica
Escena del Congreso de la Nación Argentina con el Palacio Legislativo al fondo, edificios neoclásicos de mármol, banderas argentinas ondeando, ambiente de tensión política con personas discutiendo en grupos frente a las escalinatas, cielo azul con nubes, estilo documental periodístico
O chefe de Gabinete Manuel Adorni atravessa a crise política mais profunda desde sua posse. A oposição constrói uma maioria no Senado para avançar com uma interpelação e eventual moção de censura, impulsionada pelo peronismo e respaldada por legisladores dialoguistas que até agora haviam contido as tentativas de deslocá-lo.
Segundo fontes consultadas, se somariam cerca de 43 votos na Câmara alta: 28 do interbloco peronista que conduz José Mayans, 9 da UCR, 2 do PRO e pelo menos 4 de setores provinciais. Este número se aproxima dos dois terços necessários para aprovar uma moção de censura.
Em uma entrevista com o jornalista José Del Río no canal LN+, Adorni reconheceu ter omitido USD 500.000 em suas declarações juradas. Disse ter economizado "na informalidade" essa quantia, que depois investiu em criptomoedas.
O juiz Ariel Lijo investiga o incremento patrimonial que levou seu patrimônio de $20 milhões a $944 milhões segundo o ranking de El Día, um aumento de 775% que gerou uma rejeição de 80% na opinião pública.
Patricia Bullrich, chefe do bloco libertário na Câmara dos Deputados, classificou como "omissão ética" a confissão do funcionário. Fontes indicam que Bullrich enviou alertas sobre a situação crítica ao oficialismo.
A deputada Lilia Lemoine saiu em defesa de Adorni e denunciou "extorsão" por parte de jornalistas e meios de comunicação.
Javier Milei decidiu sustentar Adorni com uma publicação em redes sociais onde afirmou: "Se há nem que seja 1% de possibilidade, luta 100%". Karina Milei, secretária geral da Presidência e figura chave no esquema de poder do governo, teria tomado distância da situação.
O governo suspendeu as reuniões de gabinete e mesa política nesta semana, em parte por viagens ao exterior de funcionários e em parte pela iminência das interpelações parlamentares. Adorni passou o fim de semana recluso com sua família e se concentra no relatório de gestão que deve apresentar ante o Senado.
Assinaturas coletadas para moção de censura na Câmara
Assinaturas necessárias para prosperar
Risco país (mínimo desde abril 2018)
Chefe de Gabinete: Equivalente ao Ministro-Chefe da Casa Civil no Brasil. É o funcionário que coordena os ministérios e atua como elo entre o Executivo e o Legislativo.
Moção de censura: Mecanismo parlamentar que permite ao Legislativo destituir um ministro ou chefe de Gabinete por falta de confiança política, similar ao impeachment ministerial que existe em sistemas parlamentaristas.
Declarações juradas: Declaração de bens e rendas que os funcionários públicos argentinos devem apresentar anualmente para verificar transparência patrimonial.
Peronismo: Movimento político argentino baseado nas ideias de Juan Domingo Perón, com forte presença no sindicalismo e setores populares. Atualmente representa a principal força de oposição ao governo de Milei.
UCR (União Cívica Radical): Partido centenário de centro-direita, similar ao antigo PFL/DEM brasileiro. Historicamente principal oposição ao peronismo, hoje parte da coalizão opositora dialoguista.
PRO: Partido fundado por Mauricio Macri (ex-presidente 2015-2019), de centro-direita liberal. Atualmente integra a coalizão de governo com Milei, mas com tensões internas.
Risco país: Índice elaborado pelo banco JP Morgan que mede a probabilidade de inadimplência soberana. Quanto menor o valor, maior a confiança dos investidores. Os 425 pontos básicos representam o menor nível desde abril de 2018.
O risco país se situa em 425 pontos básicos, o valor mais baixo desde abril de 2018, durante a presidência de Mauricio Macri. O índice elaborado por JP Morgan recuou 12 unidades na segunda-feira, 16 de junho de 2026.
A agência Standard and Poor's melhorou a classificação creditícia da Argentina de CCC+ para B-, o que desbloqueia restrições para fundos institucionais e melhora o acesso a financiamento internacional.
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz (por onde circula 20% do petróleo mundial), impulsionou os mercados emergentes e reduziu o preço do barril de petróleo Brent para USD 83-84.
O governo oficializou o Decreto 467/2026 que modifica o procedimento de designação de magistrados do máximo tribunal. Se elimina a instância de observações e impugnações cidadãs ante o Poder Executivo e se deixam sem efeito critérios de diversidade de gênero, especialidade e procedência regional.
A norma modifica os decretos 222/2003 e 588/2003 estabelecidos durante a gestão de Néstor Kirchner.
O Banco Central emitiu a Comunicação A 8446/2026 que flexibiliza o acesso a créditos em dólares. Os devedores com garantias em moeda estrangeira não precisam demonstrar ingressos nessa moeda para alinhar os vencimentos.
Até agora, os bancos exigiam que o devedor gerasse ingressos em dólares ou tivesse fluxo de fundos suficiente nessa moeda.
Analistas assinalam que o governo de Milei implementou desde sua chegada ao poder uma estratégia de "jogo do frango" (em inglês, "game of chicken"): acelerar ao máximo ante os desafios da oposição para ver quem se desvia primeiro.
No caso Adorni, as chances do oficialismo estão em construção e dependem do último tijolo que determine quem ganha o cabo de guerra. Em outros conflitos, como o das universidades, o governo terminou cedendo embora o apresentou como vitória.
Fontes: LA NACION | Contexto Tucumán
Alfredo S. Quiroga