14/06/2026 18:17 - Politica
Escena de tensión política en despacho gubernamental argentino con ambiente de crisis institucional
O governo do presidente Javier Milei enfrenta um momento de tensão institucional. O chefe de Gabinete (cargo equivalente a Chefe da Casa Civil no Brasil), Manuel Adorni, transformou-se no funcionário mais questionado da administração, acumulando uma imagem negativa de 80% segundo consultoras locais. Enquanto a oposição se organiza para uma histórica moção de censura, aliados tradicionais pedem sua renúncia, deixando Adorni praticamente sozinho.
Para os leitores brasileiros, é importante entender que o Chefe de Gabinete na Argentina é uma figura central: atua como coordenador político entre o Executivo e o Congresso. Adorni, no entanto, logrou unir o que parecia impossível: o repúdio de grande parte da sociedade e a indiferença de seus pares. Segundo análises políticas, a emoção predominante na opinião pública é a "ira".
A crise se aprofundou por questionamentos sobre seu patrimônio. Da provincia de Córdoba, setores políticos expressaram que "o cara mentiu, nos tomou por idiotas", referindo-se a inconsistências em suas declarações de bens. Até aliados do partido La Libertad Avanza pedem discretamente sua saída, mas Javier Milei insiste em sustentá-lo, mais por teimosia do que por estratégia, segundo analistas.
É a taxa de rejeição pública ao funcionário, um nível historicamente alto.
Acredita que Milei o mantém por ter informações sobre irregularidades.
Um termo que pode soar estranho para quem está acostumado com o presidencialismo brasileiro, mas na Argentina, o artigo 101 da Constituição permite que o Congresso remova o Chefe de Gabinete. A oposição está se organizando para usar essa ferramenta na sessão de 23 de junho (dia após o segundo jogo da Argentina na Copa do Mundo).
O cenário legislativo é complexo: na Câmara de Deputados, são necessários 129 votos para obter quórum e avançar. Atualmente, já haveria cerca de 120 assinaturas comprometidas. No Senado, o objetivo é atingir 37 votos.
| Câmara | Votos Necessários | Situação Atual |
|---|---|---|
| Deputados | 129 (maioria absoluta) | Cerca de 120 firmas |
| Senado | 37 | Em negociação |
Quem são os aliados que viram as costas? A senadora Patricia Bullrich (líder do partido PRO e ex-ministra) teve um cruzamento direto de críticas com Adorni, acusando-o de "mentiras". Do outro lado, o ex-presidente Mauricio Macri, cujos diputados "mauricistas" são clave, também sinaliza reprovação.
Mas a novidade mais comentada nos corredores de Buenos Aires é o distanciamento de Karina Milei, a irmã e secretária-geral do presidente, considerada a verdadeira "chefe" do governo. Durante uma reunião política recente, Karina foi vista entregando uma torta a Bullrich, enquanto Adorni permanecia à margem. O gesto foi lido como um sinal claro: o apoio familiar está evaporando.
A turbulência política ofusca os resultados econômicos que o governo tenta vender. O ministro Luis Caputo (Economia) alcançou uma inflação de 2,1% em maio e uma baixa no risco país a 437 pontos, o melhor nível em oito anos. No entanto, a crise de Adorni domina as manchetes.
Além disso, os dados de consultorias como ARESCO indicam que três em cada quatro argentinos têm dificuldade para chegar ao fim do mês, o que torna difícil capitalizar os sucessos macroeconômicos em apoio popular.
Para entender o escândalo: Adorni, sua esposa e cerca de 30 funcionários se inscreveram no regime de Inocência Fiscal. Este é um mecanismo similar a uma anistia ou regularização de ativos para quem não tributou corretamente no passado. O fato de a esposa de Adorni, Bettina Angeletti, ter manifestado desejo de viver nos EUA gerou suspeitas sobre as finanças do casal.
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones