O Ministério da Saúde da Argentina incluiu o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a Insuficiência Cardíaca descompensada no Sistema Nacional de Vigilância em Saúde como eventos de notificação obrigatória. A medida visa padronizar dados, melhorar a resposta sanitária e salvar vidas.

Um passo histórico para a vigilância de doenças não transmissíveis na Argentina

Em uma decisão inédita, o Ministério da Saúde da Argentina determinou que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a Insuficiência Cardíaca (IC) descompensada passem a ser de notificação obrigatória no país. A medida, que começou a valer em 20 de agosto de 2026, integra o Sistema Nacional de Vigilância da Saúde (SNVS 2.0) e significa que todos os médicos, equipes de saúde e instituições sanitárias têm o dever legal de registrar cada caso confirmado.

Historicamente, a notificação compulsória era restrita a doenças transmissíveis e surtos epidêmicos. Com essa inovação, a Argentina amplia esse conceito para doenças não transmissíveis graves, reconhecendo que elas exigem o mesmo rigor de vigilância, coleta de dados e resposta coordenada.

AVC: uma corrida contra o tempo que agora será monitorada de perto

No caso do AVC, a notificação permitirá estimar com mais precisão a incidência nacional e regional, traçar o perfil dos pacientes e avaliar a utilização das unidades especializadas em AVC. Os dados mostram a urgência da medida:

Cerca de 70% dos AVCs são isquêmicos, causados pela obstrução de uma artéria cerebral.
As terapias de reperfusão, se aplicadas dentro das primeiras 4,5 horas, reduzem em 28% as sequelas neurológicas.
A cada minuto de atraso, o cérebro perde cerca de 2 milhões de neurônios.

Essa ação se integra ao Programa Nacional para Diagnóstico e Tratamento do AVC (PRONAC-ACV) . O ministro da Saúde, Mario Lugones, estimou em maio passado que há mais de 50.000 casos por ano no país.

Insuficiência Cardíaca: a principal causa de morte sob vigilância obrigatória

A insuficiência cardíaca é hoje a principal causa de morte entre os argentinos. A nova regra foca na internação por episódios de descompensação, separando os primeiros atendimentos das reinternações. Essa distinção é crucial para estimar a incidência e a prevalência reais, além de revelar padrões de reingresso hospitalar e possibilitar melhorias na qualidade da atenção.

A doença atinge aproximadamente 1 em cada 60 a 90 argentinos.
A prevalência é superior a 10% entre maiores de 65 anos.
Em 2024, foram registrados 26.404 óbitos por insuficiência cardíaca no país.
As reinternações alcançam 15% em 30 dias e 50% em seis meses.
O 70% dos custos da doença está relacionado às internações.

Essa distinção entre primeiro episódio e reinternação é essencial para medir a evolução da doença e planejar políticas públicas mais eficazes.

O que muda na prática e por que isso é importante

A notificação obrigatória vai gerar uma base de dados padronizada e federativa, ou seja, todos os estados (províncias) terão que alimentar o sistema. Isso permite:

  • Conhecer a incidência real do AVC e da IC em cada região;
  • Avaliar a infraestrutura disponível, como Unidades de AVC;
  • Identificar falhas no cuidado e planejar a distribuição de recursos técnicos e financeiros;
  • Criar programas de prevenção baseados em dados locais.

Em sua conta no X, o ministro Mario Lugones destacou que “as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na Argentina” e que a detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais. A Argentina não está sozinha nessa estratégia: países como Suécia, Reino Unido e Austrália já utilizam registros nacionais para orientar ações e melhorar a saúde pública.

Essa medida fortalece o sistema de vigilância e reforça a importância de uma saúde pública baseada em evidências para proteger todos os argentinos.

Fonte oficial · Infobae · La Nación