Uma resposta sem precedentes para um surto histórico
As autoridades de saúde pública africanas estão aumentando drasticamente sua resposta ao surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), que já ultrapassou os 4.000 casos. Segundo funcionários, o tempo para ações incrementais acabou e agora se passa para uma fase de busca ativa porta a porta para encontrar e tratar os pacientes.
O surto, causado pela cepa Bundibugyo do vírus do ebola, foi relatado oficialmente pela primeira vez em 15 de maio de 2026, embora haja suspeitas de que a doença possa estar se espalhando desde janeiro. Até 4 de agosto de 2026, o Instituto Nacional de Saúde Pública da RDC registrou 3.973 casos e 1.801 mortes, tornando-o o segundo maior surto de ebola já registrado na história.
O que é a febre hemorrágica do ebola?
O ebola é uma febre hemorrágica viral que pode causar vômitos, diarreia, danos aos órgãos e sangramento interno. Existem diferentes cepas do vírus; desta vez, a cepa Bundibugyo é a responsável pela atual crise sanitária, mostrando um nível de gravidade sem precedentes, segundo especialistas.
Temores de mutação e propagação acelerada
O diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Dr. Jean Kaseya, expressou preocupação com o comportamento do vírus. Ele manteve conversas com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, para planejar estudos que determinem se o vírus está sofrendo mutação, dado o nível incomum de gravidade deste surto.
Um indicador alarmante da propagação é que mais de dois terços das mortes por ebola estão ocorrendo na comunidade, não nos centros de tratamento. Além disso, em um centro administrado por Médicos Sem Fronteiras em Bunia, capital da província de Ituri, 90% dos pacientes internados não aparecem nas listas de contatos de casos conhecidos, o que indica altos níveis de transmissão não rastreada. Atualmente, apenas 10 contatos são identificados por paciente de ebola, quando o esperado seria cerca de 40.
Avanços na contenção e tratamentos esperançosos
Apesar dos desafios, a resposta global está se intensificando com medidas inovadoras. O Dr. Wessam Mankoula, do Africa CDC, anunciou que as equipes de resposta passarão do rastreamento de contatos para a busca ativa de casos, com trabalhadores comunitários visitando casa por casa para identificar sintomas.
Além disso, está previsto começar a usar o antiviral remdesivir em caráter compassivo para tratar os pacientes. Também está sendo avaliada a vacina Ervebo — licenciada para uma cepa diferente — após receber dados encorajadores que sugerem que ela causa doença menos grave e zero mortes entre os vacinados contra a cepa Bundibugyo.
Impacto na saúde infantil e no sistema médico
O surto também afeta os cuidados médicos essenciais. O Unicef alertou que o medo da infecção e as interrupções nos serviços mantêm as famílias longe das clínicas. Em Mongbwalu, uma vila de mineração no epicentro do surto, a proporção de crianças que recebem a primeira dose da vacina contra o sarampo caiu 69%. No entanto, a vigilância continua firme: as autoridades da RDC estão investigando uma morte suspeita de ebola em um navio que seguia para a capital, Kinshasa, e os passageiros estão sendo colocados em quarentena e testados para evitar novas propagações.
O surto está concentrado na província mineradora de Ituri, afetada por conflitos, mas já se espalhou para Nord-Kivu, Sud-Kivu, Haut-Uele e Tshopo. Países vizinhos, como Uganda, conseguiram controlar rapidamente um foco de 20 casos, mostrando que, com a ação certa, a contenção é possível e a esperança de superar essa crise é real.
Dados-chave (até 4 de agosto de 2026)
- Casos confirmados: Mais de 4.000
- Mortes registradas: 1.801
- Início relatado: 15 mai 2026
- Cepa: Bundibugyo
Fonte: The Guardian