O peronismo deixou para trás as especulações e partiu para a ação. Após a cúpula realizada na semana passada no Hotel Emperador, onde se reuniram Axel Kicillof, Sergio Massa, Máximo Kirchner, quatro governadores e os chefes de bloco do PJ, começaram a surgir os detalhes do acordo: além da defesa das PASO, decidiu-se sair em busca dos chamados “governadores do meio”, aqueles peronistas dialoguistas que hoje mantêm vínculos com o governo de Javier Milei.
A estratégia dos “pares”
Segundo informou La Política Online, a ideia é que Kicillof, Massa e Gerardo Zamora – os três pré-candidatos que hoje o peronismo tem – visitem esses governadores acompanhados por algum dos outros dirigentes que participaram da cúpula. O objetivo: que haja uma testemunha que garanta a neutralidade das conversas e que se trabalhe em uma construção “do peronismo”, mais do que de um candidato em particular.
Na reunião, que durou quase quatro horas, também houve reclamações. Vários dos presentes pediram a Kicillof, Massa e Máximo que não exportem para suas províncias as internas do peronismo bonaerense. Um deputado do interior foi contundente: “Nos mandam um ministro da província que se junta com alguns prefeitos e atrás saltam os do La Cámpora ou do Sergio e se arma uma confusão”. O pedido foi anotado.
O contexto: pesquisas e PASO
O tom geral da reunião foi bom. Vinham entusiasmados pela vitória no Senado contra a lei de estrangeirização de terras e pelas pesquisas que indicam uma possibilidade real de Milei enfrentar um segundo turno. Segundo a coluna de Luis Majul no La Nación, o oficialismo e a oposição já começaram a campanha, e as operações também. Karina Milei ligou para Mauricio Macri para explorar um acordo programático entre LLA e o PRO, com Diego Santilli como testemunha. Macri teria dito: “Tomara que este primeiro contato não seja mais do mesmo, mas a possibilidade de um novo começo”.
No peronismo, as diferenças persistem. Kicillof quer ser presidente, mas se recusa a pedir a liberdade ou o indulto de Cristina Kirchner. Massa, por sua vez, aos poucos ajusta sua estratégia para se candidatar a governador da província, enquanto desempenha o papel de conciliador. A cúpula do Hotel Emperador foi vista como um princípio de acordo para sustentar as PASO, embora os interesses de cada um estejam longe dos do outro.
Os aquecedores, a polenta e outros detalhes da semana política
Enquanto isso, na Casa Rosada, a negociação entre LLA e PRO teve seu lado mais folclórico. No refeitório, serviu-se polenta, e lá fora esperava o “Mago sem Dentes”. Também chegaram os aquecedores prometidos por Ignacio Torres para a sala de imprensa, mas tiveram que ser trazidos um a um por questões políticas. A vice-presidente Victoria Villarruel mostrou-se relaxada no salão de beleza, em meio à interna com Milei. E a deputada Lilia Lemoine se fantasiou de ALF na feira Retro Start, um retorno às suas origens como cosplayer.
No plano econômico, o risco país continua alto e a inadimplência preocupa. Segundo um relatório da consultoria 1816, a mora total do setor privado não financeiro caiu de 7,7% para 7,6%, e a das famílias de 12,8% para 12,7%. Uma mudança de tendência que o oficialismo comemora, embora sem exageros.
A próxima movimentação peronista será no 19 de agosto, quando Kicillof viajará a Chaco para um ato da CGT Regional e a apresentação de seu livro na UNNE. Enquanto isso, o mapa eleitoral começa a ter traços mais nítidos, e a disputa pelas PASO continua sendo o eixo do confronto.