O verão que mudou a Europa
O verão de 2026 entrou para a história europeia de forma trágica. Dados oficiais e estimativas de institutos de saúde internacionais apontam que mais de 30.000 pessoas morreram em toda a Europa vítimas das altas temperaturas. A tragédia atingiu com mais força a Alemanha (14 mil), a Espanha (4.458) e a França (7.300), mas o calor extremo não deu trégua a nenhum país do centro e do sul do continente.
Alemanha: o recorde que o país não queria bater
O Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade sanitária alemã, foi o primeiro a soar o alarme: até o 9 de agosto, foram estimadas 14 mil mortes relacionadas ao calor, um recorde absoluto na história do país. O número supera em muito o recorde anterior de 8.900 mortes em 2018 e as estimativas de 10 mil em 1994.
Espanha: quase o dobro do ano passado
Na península espanhola, o Instituto de Saúde Carlos III estimou 4.458 mortes atribuíveis ao calor entre 1º de junho e 19 de agosto. Isso representa um salto de quase 10% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 3.891 mortes, e mostra que a crise está se acelerando ano após ano.
França e o resto do continente
Na França, as autoridades de saúde reportaram mais de 7.300 mortes adicionais no mesmo período. Somando os números dos três países, já passamos de 25 mil mortes apenas nesses territórios. Segundo a imprensa internacional, o total europeu é ainda maior: mais de 30 mil vidas perdidas, confirmando o verão mais quente do século.
O que diz a ciência: Copernicus confirma anomalia
O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, o centro de monitoramento da União Europeia, certificou: junho de 2026 foi o segundo junho mais quente da história do continente e o mais quente já registrado na Europa Ocidental, com uma temperatura média 3,06°C acima da média histórica (1991-2020). A falta de chuvas causou secas severas e incêndios florestais, destruindo plantações e paralisando o transporte em vários países.
Os números do calor em resumo
| País | Mortes atribuídas ao calor | Período de referência |
|---|---|---|
| Alemanha | 14.000 | Até 9 de agosto |
| França | 7.300 | 1º de junho a 19 de agosto |
| Espanha | 4.458 | 1º de junho a 19 de agosto |
| Total na Europa | +30.000 | Junho a agosto |
Na Alemanha, a política entra em campo
A tragédia reabriu o debate político sobre o clima. Ministros sociais-democratas estão lutando para incluir a adaptação climática na Lei Fundamental, a constituição alemã. O ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, classificou a crise como uma “realidade concreta” que não pode mais ser adiada. O ex-ministro da Saúde, Karl Lauterbach, apoiou a ideia e alertou: “A população está em situação de risco de vida”.
O presidente da Associação Alemã de Cidades, Ralph Spiegler, foi ainda mais direto: reivindicou um fundo de 50 bilhões de euros para instalar ar-condicionado em hospitais e lares de idosos, além de adaptar espaços públicos. Especialistas dizem que isso é uma medida prioritária: as ondas de calor serão cada vez mais frequentes e severas no futuro.
*Com informações de tiempo.com e agências europeias.