A líder do Partido Conservador britânico, Kemi Badenoch, gerou controvérsia durante sua participação no Fringe Festival de Edimburgo neste sábado 22 de agosto de 2026 ao chamar aqueles que abandonaram a formação para se juntar ao Reform UK de "as pessoas mais desonestas que já conheci na minha vida" e descartou categoricamente qualquer tipo de coalizão com o partido de Nigel Farage.
Em um evento conduzido pelo apresentador Iain Dale, Badenoch deixou claro que não haverá acordo eleitoral com o partido liderado por Farage, e avisou que não quer "dramas" de volta às fileiras conservadoras. Afirmou que muitos dos que saíram "nos abandonaram no nosso momento mais baixo, muitos deles foram os que causaram os problemas em primeiro lugar e depois fugiram fingindo que não tinham nada a ver com isso". Por isso, respondeu com ironia: "Por que devemos tê-los de volta?".
Figuras-chave que abandonaram os Conservadores
Entre os desertores que passaram ao Reform estão Suella Braverman, ex-ministra do Interior, e Robert Jenrick, ex-secretário de Justiça no gabinete de oposição. Jenrick, demitido por Badenoch por suposta conspiração contra ela, descreveu seu antigo partido como "podre" e "fracassado".
Sem pactos antes nem depois
Badenoch insistiu que não aceitaria formar um "monstro híbrido entre Reform e Conservadores" em Westminster, mesmo em um parlamento sem maioria absoluta. Nesse cenário, disse preferir convocar novas eleições antes de governar com o partido de Farage: "Como trabalhar com pessoas assim quando estou fazendo planos cuidadosamente e usando uma abordagem sistêmica? Como trabalhar com um homem que se desentendeu com todas as pessoas com quem já trabalhou em todos os partidos que criou?".
Para Badenoch, a chave não é unir a direita, mas "unir o país", e deixou claro que não haverá "acordos" nem antes nem depois das próximas eleições gerais.
Contexto político atual
Segundo a última pesquisa de intenção de voto do Ipsos, realizada entre 30 de julho e 4 de agosto com 1.033 adultos na Grã-Bretanha, a intenção de voto no Partido Trabalhista é de 28%, seguida do Reform UK com 25% e dos Conservadores com 18%. O primeiro-ministro Andy Burnham chegou a Downing Street em julho após grande vitória trabalhista nas eleições de 2024. As próximas eleições devem ser convocadas antes de agosto de 2029, mas Burnham pode decidir antecipá-las.
A recente derrota dos Conservadores (que também provocou a renúncia de Keir Starmer como líder trabalhista) foi o catalisador para o crescimento do Reform, principalmente no País de Gales e na Inglaterra. Badenoch quer "vencer nos meus próprios termos" nas próximas eleições e se mantém firme em não ceder seu lugar.
"O país estará em um estado bastante ruim se os conservadores não formarem o próximo governo."
Com tom duro e sem meias palavras, a líder conservadora quer se afastar da sombra de Farage e marcar perfil próprio para o futuro, embora o risco de parlamento sem maioria continue no horizonte.
Para mais informações, acesse a notícia original no The Guardian: Artigo original.