Uma missão histórica que superou todos os recordes
A missão Artemis II da NASA, lançada em 10 de abril de 2026, marcou um marco na exploração espacial ao se tornar a primeira tripulação a viajar ao redor da Lua em mais de 50 anos. Os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion não apenas conseguiram sobrevoar o lado oculto do satélite, mas também quebraram o recorde de distância percorrida por seres humanos a partir da Terra, superando os 400.171 quilômetros estabelecidos pela missão Apollo 13 em 1970.
A tripulação foi composta pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o astronauta da Agência Espacial Canadense Jeremy Hansen. Este time fez história ao incluir a primeira mulher, a primeira pessoa negra e o primeiro astronauta não americano em uma missão lunar.
“Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu”
Durante a coletiva de imprensa após o retorno, Wiseman descreveu com espanto a experiência de observar o lado oculto da Lua: “Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo na Apollo. É absolutamente espetacular, surreal... não há adjetivos, vou ter que inventar alguns novos”. O comandante também contou o momento em que o Sol se eclipsou atrás da Lua, virando-se para Glover e dizendo: “Não acho que a humanidade tenha evoluído até o ponto de ser capaz de compreender o que estávamos vendo”.
Wiseman compartilhou uma mensagem que viralizou, enviada antes de a tripulação perder contato com a Terra por 40 minutos: “A Terra parece um pequeno crescente lá fora. É magnífica, tirei uma foto... uma vista realmente majestosa”. Quando a comunicação foi restabelecida, Koch exclamou: “É maravilhoso ter notícias da Terra novamente”.
O retorno: uma manobra no limite e uma emoção transbordante
O retorno foi um dos momentos mais críticos. A cápsula Orion entrou na atmosfera a uma velocidade próxima de 40.000 quilômetros por hora antes de abrir os paraquedas. Glover descreveu a sensação: “Aquele momento em que os paraquedas de frenagem se soltaram foi como se você se jogasse de costas de um arranha-céu”. A nave amerissou no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, onde equipes da NASA e do exército americano resgataram os tripulantes e os levaram de helicóptero para o navio USS John P. Murtha.
O impacto emocional foi profundo. Wiseman confessou que, após subir no navio de recuperação, pediu para falar com o capelão: “Nunca o tinha conhecido na minha vida, mas vi a cruz no pescoço dele e simplesmente desabei em lágrimas”. Ele também destacou a reação global: “Ficamos impressionados com a efusão de apoio, com esse sentimento de orgulho e pertencimento. Queríamos sair e tentar fazer algo que unisse o mundo”.
Marcos científicos e o futuro do programa Artemis
A missão não foi apenas uma conquista técnica. As imagens capturadas do lado oculto da Lua são consideradas chave para compreender a formação e evolução do satélite. Antes deste voo, a China já havia explorado essa região com as sondas Chang'e 4 (2019) e Chang'e 6 (2024), esta última trouxe amostras lunares para a Terra.
Após a amerissagem, os astronautas passaram por exames médicos exaustivos para monitorar a adaptação do corpo humano após a exposição ao espaço. Esses dados serão fundamentais para planejar futuras missões. A NASA já trabalha na Artemis III, prevista para 2027, que buscará levar astronautas de volta à superfície lunar, seguida pela Artemis IV em 2028, no âmbito de um plano para estabelecer uma presença sustentada na Lua.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, classificou a missão como “a maior aventura da história da humanidade”, e os depoimentos da tripulação confirmam que a experiência superou qualquer expectativa.
Fonte: Imago