Em uma escalada sem precedentes, Kiev lançou centenas de drones contra Moscou e outras regiões russas, deixando pelo menos 13 mortos. O ataque atingiu um gigantesco centro logístico da Wildberries, o 'Amazon russo', enquanto a Rússia respondeu com mísseis sobre a Ucrânia e um drone foi abatido na Romênia por um caça espanhol da OTAN.

A maior ofensiva aérea ucraniana no ano

Neste domingo, 16 de agosto de 2026, a Ucrânia lançou um dos ataques aéreos mais massivos contra território russo desde o início da guerra. Segundo o Ministério da Defesa russo, seus sistemas de defesa aérea abateram 822 drones ucranianos durante a noite, enquanto o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que 600 drones sobrevoaram a região de Moscou, dos quais 201 foram destruídos na zona.

O governador da região de Moscou, Andrey Vorobiev, classificou a ofensiva como "um dos maiores ataques" sofridos pela região. Um homem de 83 anos morreu quando um drone atingiu sua casa, e várias pessoas ficaram feridas na cidade de Podolsk, ao sul da capital.

Rostov: cinco mortos e danos à infraestrutura

Na região de Rostov, no sudoeste da Rússia, pelo menos cinco pessoas morreram e outra ficou ferida após o ataque, segundo o governador Yuri Slyusar. As forças russas derrubaram mais de 150 drones e mísseis em três cidades e nove distritos. Os prédios da administração local em Kamensk sofreram danos significativos, e incêndios florestais foram registrados na área.

As autoridades ucranianas afirmaram que atingiram uma "empresa do complexo militar-industrial que produz combustível sólido para foguetes" em Rostov.

O gigante logístico Wildberries, na mira

Um dos principais alvos foi um enorme armazém da Wildberries, a maior varejista online da Rússia (equivalente ao Amazon russo). Um vídeo geolocalizado mostrou um incêndio massivo no complexo, localizado na região de Moscou, com uma área de 250.000 metros quadrados. Vorobiev afirmou que não houve feridos nesse incidente.

Kiev sustenta que a Wildberries gerencia suprimentos para as forças armadas russas e já atacou sete dos dez maiores centros logísticos da empresa nos últimos meses. A companhia anunciou recentemente a construção de novos armazéns no Cazaquistão.

Rússia responde com mísseis sobre a Ucrânia

Enquanto a Rússia repelía a onda de drones, suas forças continuaram bombardeando a Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky informou que seis pessoas ficaram feridas em ataques contra Kyiv durante a madrugada, incluindo um mercado de livros perto da estação de metrô Pochaina, que ficou em chamas.

Em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelensky, um ataque com mísseis balísticos matou duas pessoas e feriu outras 14. A planta siderúrgica da ArcelorMittal nessa cidade foi atingida e suspendeu parcialmente suas operações, confirmando um morto e 13 funcionários feridos. Também houve vítimas em Sumy (1 morto) e na região de Zaporizhzhia (2 mortos).

Zelensky denunciou que a Rússia lançou mais de 1.550 drones de ataque, quase 1.560 bombas aéreas guiadas e 62 mísseis contra a Ucrânia na última semana. Além disso, alertou que a Ucrânia não conseguiu abater nenhum míssil balístico devido à escassez de interceptadores: "Não se pode permitir que interceptadores europeus simplesmente fiquem armazenados".

Um drone cai na Romênia e a OTAN intervém

A escalada teve uma consequência direta em território da OTAN. O Ministério da Defesa da Romênia informou que um caça F-18 espanhol abateu durante a madrugada um drone não identificado que entrou no espaço aéreo romeno vindo da Moldávia. O drone foi detectado às 4h44 (horário local), a cerca de 24 quilômetros ao norte de Galați, e abatido às 5h01. Os fragmentos caíram em uma área desabitada.

Este é o quarto drone abatido este ano sobre a Romênia, depois que em julho pilotos romenos de caças F-16 derrubaram pela primeira vez três drones russos que violaram o espaço aéreo nacional. A ministra interina das Relações Exteriores romena, Oana Toiu, destacou que o destacamento espanhol foi reforçado a pedido da Romênia e da OTAN para fortalecer o flanco oriental.

Um conflito que se intensifica após quatro anos e meio

Esses ataques marcam uma nova fase na guerra, que começou em 24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa em grande escala. A Ucrânia aumentou em 2026 o uso de mísseis de longo alcance e grandes enxames de drones contra alvos a centenas de quilômetros dentro da Rússia, buscando afetar a infraestrutura econômica e militar que sustenta o esforço de guerra de Moscou, e aproximar as consequências da guerra da população russa.

No sábado, Zelensky anunciou que as forças ucranianas usaram mísseis Flamingo contra um centro de pesquisa e produção de foguetes em Samara, a cerca de 900 quilômetros da fronteira ucraniana. Os Flamingo, desenvolvidos na Ucrânia, tornaram-se fundamentais na capacidade de ataque profundo de Kiev.

O balanço total deste domingo chega a pelo menos 13 mortos no lado russo (5 em Rostov, 3 em Belgorod, 4 em territórios ocupados e 1 na região de Moscou), enquanto na Ucrânia foram reportados pelo menos 5 mortos e dezenas de feridos. A comunidade internacional observa com preocupação a crescente dimensão da guerra aérea e o risco de suas consequências atravessarem as fronteiras dos países vizinhos.