Na Argentina, o dólar blue recuou 10 pesos na praça portenha, enquanto o câmbio oficial permaneceu estável nos bancos. Os dólares financeiros MEP e CCL fecharam em leve alta, e o risco-país avançou para 534 pontos.

Como fecharam as principais cotações do dólar na Argentina

O mercado de câmbio argentino apresentou movimentações mistas na última quinta-feira, em um cenário marcado por expectativas econômicas e anúncios oficiais. Na cidade de Buenos Aires, o dólar blue recuou 10 pesos e fechou em $1.550 para venda, enquanto o dólar oficial permaneceu estável, com compra a $1.465 e venda a $1.515 no Banco Nación.

Tipo de câmbioCompraVendaVariação
Oficial (Banco Nación)$1.465$1.515Estável
Blue (Buenos Aires)$1.530$1.550-0,64%
MEP (Bolsa)$1.524,67$1.525,13+0,13%
CCL (Contado con Liqui)$1.582+$9
cripto$1.590,70Estável

Entenda o que é o dólar blue e o porquê de sua importância

O dólar blue é a moeda estadunidense negociada no mercado paralelo argentino, à margem das regras cambiais oficiais. Essa modalidade surgiu como uma alternativa para quem não consegue comprar dólares na cotação oficial, devido às restrições impostas pelo governo (o chamado 'cepo cambial'). Sua cotação funciona como um termômetro da desconfiança e da escassez de reservas internacionais.

Para quem visita ou mora na Argentina, o blue costuma ser uma opção atraente, mas também vem acompanhado de riscos e flutuações diárias. Em uma única semana, por exemplo, sua cotação pode oscilar dezenas de pesos.

E os dólares financeiros? O que são MEP e CCL?

Já os dólares financeiros (MEP e CCL) são obtidos através da compra de títulos públicos em pesos e sua posterior venda em dólares. O MEP (Mercado Eletrônico de Pagamentos) é usado para levar dólares para fora do país de forma legal, enquanto o CCL (Contado com Liquidação) permite que recursos saiam da Argentina e sejam depositados em contas no exterior. Ambos fecharam o dia com leves altas, respectivamente, de 0,13% e $9.

Risco país em alta: o que isso significa?

O risco-país é um índice que mede o quão arriscado é comprar títulos da dívida de um país em relação aos EUA. Quanto maior o número, mais desconfiança dos investidores e mais alto o juro que o governo precisa pagar para se financiar. No dia em questão, o indicador subiu para 517 pontos-base (equivalentes a 5,17%), em meio à desvalorização dos bônus em dólar, que caíram até 1,5%.

Contexto político e econômico: a Argentina na mira

O movimento do câmbio aconteceu no mesmo dia em que o presidente Javier Milei discursou no Council of the Americas, evento em Nova York. Na ocasião, ele anunciou que prepara um show musical para celebrar a inflação atacadista de julho, que ficou em 0,8% – a menor taxa desde maio de 2025, segundo dados oficiais.

Além disso, o Banco Central da Argentina publicou uma nova norma (Comunicação 'A' 8467) que flexibiliza o acesso ao crédito em dólares para empresas que não geram receita em moeda estrangeira. Essa medida visa facilitar a importação e a compra de insumos, dando maior liquidez às companhias locais.

Em termos práticos, essa decisão do BCRA pode ter efeito no longo prazo sobre a oferta de dólares e, consequentemente, sobre a cotação do blue e dos financeiros. Por isso, os movimentos de hoje ainda são vistos com cautela pelos analistas locais.