📊 Faturamento em alta, poder de compra em queda
O setor de e-commerce na Argentina movimentou $19.533.815 milhões entre janeiro e junho de 2026, segundo a CACE (Câmara Argentina de Comércio Eletrônico). Isso representa um crescimento nominal de 28% comparado ao mesmo período de 2025. No entanto, a inflação interanual em junho foi de 33,5%, o que significa que as vendas reais encolheram cerca de 3% — um reflexo direto da crise econômica que afeta o consumo no país.
Esse cenário de queda no poder de compra também se reflete no varejo físico, mas o e-commerce segue sendo um canal vital para os consumidores argentinos em busca de ofertas e conveniência.
📦 Mais pedidos, mais itens, e ticket médio estagnado
O estudo da CACE (Cámara Argentina de Comércio Eletrônico) revela que os pedidos online somaram 181,5 milhões no semestre, um salto de 21% ante o ano anterior. Foram vendidos 248 milhões de produtos — 22% a mais. Isso significa uma média de 1 milhão de pedidos por dia, um dado que mostra o quanto o brasileiro (ou argentino, nesse caso) está comprando mais, mas gastando menos por item.
O ticket médio por pedido foi de $107.597, apenas 5% maior em relação ao semestre anterior. Esse comportamento é explicado pela migração para categorias de menor valor e por uma certa estabilização de preços em setores como Eletro (linha branca) e Alimentos, que têm recomposições mais lentas que a inflação geral.
🛒 O que os argentinos mais compram online?
Por faturamento, as categorias líderes são:
- 🥫 Alimentos e bebidas — também líder em unidades vendidas
- 🔌 Eletro (linha branca) — como geladeiras e lavadoras
- 🛠️ Ferramentas e construção
- ✨ Produtos de cuidado pessoal — top 3 em unidades
Quando se olha para o consumo de alta frequência, levantado pela consultora Scentia, o canal online teve alta de 41% em junho e 34,8% no acumulado do ano. No mês, as maiores subidas foram: bebidas alcoólicas (+61,8%), alimentação (+54,6%) e itens de impulso (+45,2%).
🌎 Compras internacionais em alta
O estudo também aponta um fenômeno importante: o aumento das compras em sites estrangeiros. 18% dos consumidores fizeram sua primeira compra internacional em 2026. Mas ainda é um hábito ocasional: 64% compram poucas vezes por ano. Mesmo assim, o total importado já representa 6% do volume financeiro do e-commerce.
As categorias favoritas são conteúdos digitais e vestuário. E quem mais cresce são os gigantes asiáticos: Temu (alta de 23%) e Shein (20%). O Mercado Livre continua sendo o líder local, enquanto Amazon e AliExpress perderam espaço. Nos meios de pagamento, o cartão de crédito segue dominando, mas perde terreno para as carteiras digitais e o débito online. Em um cenário de menor renda, as parcelas se tornam fundamentais: mais empresas passaram a oferecer 7 a 12x.
🔮 O que esperar do segundo semestre?
Apesar do cenário desafiador, há um clima de otimismo moderado. 55% das empresas esperam um desempenho ainda melhor em número de pedidos, puxadas pela desaceleração da inflação e um cenário econômico mais estável na Argentina.
"O canal online segue crescendo e se consolidando como parte dos hábitos de consumo diários. O desafio não é mais saber se devemos estar no digital, mas como evoluir para entregar melhores experiências", conclui Andrés Zaied, presidente da CACE.
Fontes: CACE, Infobae, La Voz del Interior, El Eco de Tandil. Com base no relatório oficial da CACE.