O Índice de Financiamento de PMEs (IFP) da Vetacap subiu 1,09 ponto percentual em julho, interrompendo a tendência de queda. A pressão sobre a liquidez e a preferência por prazos curtos marcam o mercado, enquanto o BCRA oferece pases ativos para aliviar a tensão.

O custo do financiamento para pequenas e médias empresas (PMEs) na Argentina deu uma guinada em julho. Segundo o último relatório da sociedade de bolsa Vetacap, o Índice de Financiamento de PMEs (IFP) subiu para uma taxa nominal anual (TNA) de 25,6%, o que representa um aumento de 1,09 ponto percentual em relação a junho. Com isso, foi interrompida uma sequência de cinco meses consecutivos de quedas.

O dado chega em um contexto de pressão sobre a liquidez do sistema financeiro, com taxas de curto prazo se aquecendo e o Banco Central da Argentina (BCRA) oferecendo pases ativos para tentar conter a alta. A entidade comandada por Felipe Venancio, Ignacio Pérez Riba e Lucas Calderoni explicou que "esse movimento geralmente acompanha cenários de tensão na liquidez do sistema ou maior demanda relativa de financiamento de curto prazo".

Rendimento real negativo e preferência por prazos curtos

Em termos reais, o IFP registrou um rendimento negativo de -2,12%, descontando uma inflação anual de 28,3%. Ou seja, as PMEs que se financiaram em julho pagaram uma taxa que, descontada a inflação, ainda foi negativa para o credor, embora a diferença esteja diminuindo.

O relatório também detectou uma mudança na estrutura de prazos: os investidores mostraram clara preferência pelos prazos mais curtos. "O prazo de 0 a 30 dias foi o que mais ganhou participação", detalhou a Vetacap, em um contexto em que a liquidez continua escassa e o mercado busca refúgio em operações de rápida rotação.

O que é o IFP e como é calculado

O IFP é um indicador elaborado pela Vetacap que reporta a taxa média ponderada pelo montante operado dos principais instrumentos de financiamento de PMEs do Mercado de Capitais: Cheque de Pagamento Diferido, Notas Promissórias e Fatura de Crédito Eletrônica em pesos, expressa como TNA vencida. Considera apenas operações em que o instrumento se qualifica como PME sob as normas do MAV (Mercado Argentino de Valores).

Apesar da alta mensal, a taxa atual é 17,65 pontos percentuais menor do que a de um ano atrás e mais de 30 pontos inferior ao pico de 59,06% registrado na véspera das eleições legislativas de 2025. "Que as taxas subam demais e depois voltem a cair é muito mais traumático do que uma taxa que se estabiliza um ou dois pontos acima. Se as taxas se estabilizarem, gera-se previsibilidade e estabilidade", afirmaram da Vetacap.

O contexto: taxas curtas aquecidas e liquidez apertada

A alta do IFP não é um caso isolado. A TNA da caução de um dia (operação de empréstimo com garantia de títulos) média de 27,5% nesta quarta-feira, enquanto o rendimento real das LECAPs (Letras do Banco Central) parece caminhar para terreno positivo e os títulos CER (indexados à inflação) mostram retornos acima da inflação de quase 10%.

Da Adcap sinalizaram que, com a caução atingindo 29% durante o dia, "começou a circular o rumor de que o Banco Nación havia começado a fornecer pesos a uma taxa de 28%, o que levou a taxa a começar a cair de forma sustentada". Na prática, esse fluxo de pesos funciona como um teto para as taxas de financiamento e, ao mesmo tempo, como um piso para o preço dos títulos, que estavam sofrendo durante a sessão e melhoraram um pouco a partir dessa ação.

No entanto, a entidade alertou que "longe de melhorar, as condições de liquidez permanecem apertadas", algo que se reflete no baixo montante de pesos que o BCRA absorve na rodada REPO (operações de recompra).

A visão dos analistas: rumo a taxas reais positivas?

O economista da consultoria Paramétrica, Nicolás Bertholet, compartilhou com o Ámbito um gráfico que reflete a redução da diferença entre a taxa dos depósitos a prazo fixo atacadistas e a inflação mensal. "A taxa real continuou negativa em julho, mas este mês pode finalmente se tornar positiva", previu.

No entanto, para o especialista, o problema não é a taxa passiva, mas a diferença com a taxa ativa (empréstimos pessoais), que é a mais alta em 14 anos. "Isso é o que sufoca o crédito e mantém a inadimplência em níveis recordes, mais do que a estrutura de taxas em geral", afirmou.

Mais financiamento, a taxa mais alta e com prêmio por aval

A alta das taxas foi acompanhada por um aumento mensal de 4,8% no volume de operações, um movimento moderado segundo a Vetacap, em linha com a atividade típica do mercado para esse período.

O relatório também destacou um spread de 10,63 pontos percentuais entre a taxa de um Cheque de Pagamento Diferido Não Garantido e um avalizado por Sociedade de Garantia Recíproca (SGR), localizadas em 33,82% e 23,19%, respectivamente. "É um prêmio elevado: o sistema de avais SGR proporciona uma economia bruta significativa", destacaram, embora tenham esclarecido que o Prêmio Líquido Estimado (que desconta os custos da operação avalizada) é quase a metade.

Em relação aos prazos, as operações do segmento Avalado registraram uma extensão média de 75 dias, contra os 57 dias do segmento Não Garantido. "Com o respaldo da garantia, as PMEs podem esticar os vencimentos sem pagar um prêmio adicional excessivo. É um dado consistente com a lógica do aval como instrumento de melhoria do perfil de crédito", concluiu o trabalho.

Fonte: Ámbito Finanzas