O Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) confirmou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de julho de 2026 foi de 2,1%, encerrando três meses de desaceleração. Com esse número, a Argentina se posicionou como o segundo país com maior inflação mensal da América Latina, atrás apenas da Venezuela. Cinco países registraram deflação.

A inflação de julho quebrou a tendência de queda

O Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), órgão oficial argentino de estatísticas, informou que a inflação de julho de 2026 foi de 2,1% ao mês, um dado que interrompeu três meses consecutivos de quedas intermensais. Em junho, o IPC havia quebrado o piso de 2% pela primeira vez em 10 meses, mas a sazonalidade das férias de inverno (na Argentina, que ocorrem em julho) e o impacto do petróleo internacional impulsionaram os preços para cima.

Com este registro, a inflação acumula 19,3% nos primeiros sete meses do ano e 33,8% interanual, segundo dados oficiais.

O ranking regional: Argentina, segunda atrás da Venezuela

Uma pesquisa do Infobae baseada nos organismos oficiais de estatística de cada país colocou a Argentina em segundo lugar entre as nações da América Latina com maior inflação mensal em julho, atrás apenas da Venezuela, que liderou com 19,9%.

A diferença com o resto da região é contundente: os 2,1% argentinos são mais de três vezes os 0,66% da Guatemala, a terceira no ranking. A taxa anualizada de 2,1% mensal argentino é de 28,3%, contra 8,4% da Guatemala.

Inflação mensual na América Latina (julho de 2026)

PaísInflação mensualTaxa anualizada
Venezuela19,9%
Argentina2,1%28,3%
Guatemala0,66%8,4%
Peru0,29%3,5%
República Dominicana0,2%
Colômbia0,17%
Honduras0,15%
Chile0,10%
Brasil0,07%
Uruguai0,07%
México0,03%

Fonte: Infobae, com base em organismos oficiais de cada país.

Cinco países com deflação: Bolívia, o caso mais extremo

Enquanto a Argentina acelerava, um grupo de países registrou quedas de preços em julho. A Bolívia liderou com uma deflação mensal de -2,79%, seguida por Costa Rica (-0,47%), Panamá (-0,30%), Paraguai (-0,10%) e Nicarágua (-0,07%).

Este fenômeno contrasta fortemente com a dinâmica argentina e reforça a diferença inflacionária com os principais parceiros regionais. Três países ainda não haviam divulgado seus dados de julho no fechamento desta edição: Cuba, El Salvador e Equador.

O que aconteceu com os preços na Argentina: setores e cestas básicas

O setor que mais aumentou em julho foi Recreação e Cultura, com 5%, impulsionado por pacotes turísticos e serviços culturais durante as férias de inverno. Em seguida, Restaurantes e Hotéis (2,8%), Saúde (2,5%), Comunicação (2,4%) e Serviços Públicos (2,2%).

O setor de Alimentos e bebidas não alcoólicas, o de maior impacto no IPC, subiu 2%. No extremo oposto, Roupas e calçados mostraram uma deflação de -1,3%.

Por categorias, os preços sazonais aumentaram 4,5%, os regulados 2,1% e a inflação núcleo (que exclui itens mais voláteis) 1,8%. Por regiões, a Grande Buenos Aires (capital e arredores) liderou com 2,3%, seguida por Patagônia, NEA, NOA e Pampa (2%) e Cuyo (1,9%).

Cestas básicas: a indigência cresce mais que a inflação

Na Argentina, a Cesta Básica Alimentária (linha de indigência, que indica a incapacidade de comprar comida básica) foi de $708.016 pesos argentinos para uma família padrão de dois adultos e duas crianças, com um aumento de 2,6% ao mês e 37,4% interanual.

A Cesta Básica Total (linha de pobreza, que inclui outros serviços essenciais) atingiu $1.564.716 pesos argentinos, com um aumento de 2,2% ao mês e 36,1% interanual. Ambas as cestas subiram acima do IPC geral, o que significa que os setores mais vulneráveis sofrem um custo de vida ainda maior.

O que dizem os economistas e o Governo

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que a média móvel de três meses é a mais baixa desde setembro de 2025 e celebrou a queda histórica em roupas. No entanto, economistas como Claudio Caprarulo, diretor da consultoria Analítica, projetam 2,1% para agosto e alertam que quebrar o piso de 2% continua sendo o principal desafio.

Caprarulo apontou que a primeira semana de agosto mostrou estabilidade em alimentos e bebidas em supermercados, mas que a recuperação do consumo está longe: o comércio eletrônico cresce, mas representa menos de 5% das vendas totais de supermercados e não compensa a queda do comércio físico.

Para o final do ano, as projeções situam a inflação interanual perto de 30%. Apesar dos desafios, a estabilização gradativa traz esperança para a economia do país sul-americano.