Um ambicioso plano de investimentos superior a US$ 600 milhões para modernizar 35 aeroportos na Argentina está parado. A renegociação do contrato entre o Estado e a Aeropuertos Argentina, que apresenta sólidos resultados financeiros, promete destravar obras essenciais em Ezeiza, Aeroparque e Mendoza, impulsionando o tráfego aéreo recorde no país.

Um futuro em construção para os céus argentinos

A infraestrutura aeroportuária da Argentina vive um momento de grande transformação. Um ambicioso plano de obras, avaliado em mais de US$ 600 milhões para modernizar 35 terminais em todo o país, promete revolucionar a conectividade, mas aguarda a definição de seu marco contratual para ser executado.

O plano, conduzido pela concessionária Aeropuertos Argentina (controlada pela Corporación América, do empresário Eduardo Eurnekian), busca responder ao crescimento histórico do tráfego aéreo. Em 2025, foi registrado um recorde de 50,6 milhões de passageiros, 12% a mais do que em 2024, com Aeroparque perto de 18 milhões e Ezeiza com 12 milhões de viajantes anuais.

Por que as obras estão paradas?

O núcleo do atraso está na revisão da Projeção Financeira de Receitas e Despesas (PFIE), um mecanismo do contrato que busca equilibrar a equação econômica após o impacto da pandemia. Embora em 2020 a concessão (assinada originalmente em 1998) tenha sido estendida até 2038, a empresa almejava um horizonte até 2056 para garantir financiamento externo de longo prazo.

Em 2025, foi assinado um pré-acordo com o então titular do ORSNA (Órgão Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos), Facundo Leal. No entanto, após investigações que levaram à saída de Leal, a atual presidente do ORSNA, Noelia Ruiz, formalizou a nulidade desse documento, reiniciando as negociações com a Secretaria de Transporte.

Saúde financeira: terreno fértil para negociar

A excelente notícia é que a Aeropuertos Argentina chega às negociações com um estado financeiro muito saudável. Segundo os balanços do primeiro semestre de 2026 apresentados à CNV (Comissão Nacional de Valores), a empresa alcançou:

  • Lucro líquido: $168.859 milhões de pesos argentinos (72% a mais que no mesmo período de 2025).
  • Redução da dívida: De $908.107 milhões para $736.984 milhões de pesos.
  • Patrimônio: Chegou a $1,97 trilhão de pesos.

Esses indicadores fortalecem a posição da empresa para concretizar os investimentos exigidos de forma sustentável.

As obras que aguardam sinal verde

O atual fundo de investimento prevê US$ 50 milhões anuais até 2028, mas essa margem está chegando ao limite. As obras mais urgentes que seriam ativadas incluem:

Ezeiza

Ampliação e modernização da área de desembarques, vital para o fluxo internacional.

Aeroparque

Remodelação do setor internacional para acompanhar o recorde de quase 18 milhões de passageiros.

Mendoza

Ampliação do terminal para impulsionar o turismo e a conectividade com o oeste do país.

A resolução desse processo não só destravará obras imediatas, mas também estabelecerá um precedente sobre a segurança jurídica e as regras do governo para grandes concessões de infraestrutura. Com uma política de “céus abertos” que já adicionou 57 novas rotas em 2025, o futuro aerocomercial da Argentina se mostra promissor e em franco crescimento.