Um projeto de Orçamento para 2027 que pretendia aplicar cortes rigorosos nas pensões para pessoas com deficiência acabou revelando profundas rachaduras no governo de Javier Milei. Entre a resistência de Patricia Bullrich e a pressão de governadores provinciais, a Casa Rosada teria que recuar para evitar um desastre político no Senado.

Crise no Orçamento: Entre a Economia e a Política

Entenda a disputa interna que forçou o governo argentino a rever cortes em benefícios sociais.

A Estratégia de Ajuste

O governo teria tentado incluir no Orçamento de 2027 medidas drásticas para reduzir gastos na área da deficiência. O plano consistia em retornar ao critério de "invalidez laboral" (onde o benefício é concedido apenas se a pessoa for incapaz de trabalhar) para a concessão de pensões, em vez de focar na deficiência em si.

Além disso, pretendiam eliminar o CUD (Certificado Único de Deficiência) — que funciona como um "passaporte" de acesso a direitos e tratamentos na Argentina — como chave principal de acesso aos benefícios, transferindo os custos para as províncias e planos de saúde privados.

⚠️ Pontos Críticos

  • Fim do CUD como acesso direto.
  • Mudança para Invalidez Laboral.
  • Tarifas Trimestrais em vez de mensais.

O CUD é o documento oficial argentino que garante a gratuidade de transportes, medicamentos e terapias para pessoas com deficiência.

Guerra de Egos: Bullrich vs. Caputo

Para quem observa a política argentina, este conflito vai além dos números. Trata-se de uma disputa de poder entre Patricia Bullrich (Ministra da Segurança e peça-chave no Congresso) e Luis "Toto" Caputo (Ministro da Economia).

Bullrich teria ficado insatisfeita por Caputo desenhar o ajuste sem consultá-la, sinalizando que ela detém o controle sobre a viabilidade do projeto no Senado. Enquanto isso, internamente, o chamado "karinismo" (setor liderado por Karina Milei, irmã do presidente) estaria buscando culpados pela redação do texto, apontando para a Secretaria Legal e Técnica de María Ibarzábal.

A Pressão Federalista

O cenário piorou para o governo com a reação de Martín Llaryora, governador de Córdoba (uma das províncias mais importantes do país). Llaryora classificou a medida como um "ato de crueldade" e instruiu seus legisladores a não apoiarem o projeto, lembrando a Milei que as províncias não podem absorver custos sociais insustentáveis.

O Desfecho e as Perspectivas

Diante da tempestade, o governo teria filtrado que irá recuar nos pontos mais polêmicos, buscando um acordo que possivelmente mude as atualizações de valores para um esquema bimestral, tentando acalmar os ânimos.

Perspectiva Resultado Estimado
Patricia Bullrich Vencedora - Reafirmou sua influência no Senado.
Luis Caputo Perdedor - Sofreu um golpe em sua autoridade legislativa.
Governo Milei Alerta - Necessidade de negociar com províncias.
Fonte: TN Política