Salta, epicentro mineiro do país
De 2 a 4 de setembro de 2026, o Centro de Convenções de Salta (Limache) tornou-se o ponto de encontro da indústria mineira nacional e internacional com a celebração do Argentina Mining Norte 2026, a XIX Convenção Internacional sobre Oportunidades de Negócios em Exploração, Geologia e Mineração. O evento, que comemora os 30 anos da Argentina Mining, bateu recordes de público: são esperados mais de 9.000 participantes, 540 expositores (contra 230 em 2012), 81 palestrantes e 65 a 69 palestras, com uma área comercial totalmente ocupada.
O secretário de Mineração de Salta, Gustavo Carrizo, resumiu o clima do encontro: “Algo está acontecendo no noroeste da Argentina”. Carrizo lembrou que os recursos minerais da região datam de 430 milhões de anos, mas que a verdadeira mudança está na capacidade das pessoas. Nesse contexto, destacou a importância da Mesa do Lítio e da Mesa do Cobre como ferramentas de articulação provincial.
Lítio: o salto para a produção
Salta já conta com 4 projetos de lítio em produção, todos com etapas de expansão em andamento. Segundo Carrizo, se essas expansões se consolidarem, a Argentina se tornará o primeiro produtor de lítio sul-americano. O funcionário também comentou a evolução do preço do lítio, que caiu de cerca de 80.000 dólares por tonelada para valores atuais de 6.000 a 7.000 dólares por tonelada, um ajuste que obriga a indústria a ser mais eficiente.
Cobre: Taca Taca, a grande aposta
Em relação ao cobre, Carrizo foi honesto: “Temos muito a aprender com San Juan”. O projeto estrela é Taca Taca, operado pela First Quantum Minerals, localizado a 35 km de Tolar Grande. Com um investimento estimado em 5.250 milhões de dólares, o projeto prevê uma produção média de 291.000 toneladas de cobre por ano durante os primeiros 10 anos. A aprovação ambiental está pendente, e a audiência pública chave será elevada “nos próximos dias”, segundo Carrizo.
A visão nacional: RIGI e recursos
O subsecretário de Desenvolvimento Mineiro da Nação, Mario Thiem, citou Juan Domingo Perón em seu segundo Plano Quinquenal: “Não é riqueza o que está debaixo da terra, mas o que foi extraído”. Thiem destacou que a Argentina possui 165 milhões de toneladas de carbonato de lítio equivalente em recursos medidos e indicados. Além disso, informou que o RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos) já aprovou 12 projetos mineiros no valor de cerca de 22.000 milhões de dólares, e que, somando os processos em andamento, o valor comprometido chega a 50.000 milhões de dólares.
Por sua vez, o ministro da Produção e Mineração de Salta, Ignacio Lupión, afirmou: “O que durante anos chamamos de potencial mineiro hoje é uma realidade produtiva”. Salta produz e exporta ouro, lítio e boratos, e Lupión defendeu a segurança jurídica provincial, avaliando positivamente o RIGI.
A conversa digital sobre mineração
Um estudo da Enter Comunicación apresentado na convenção, intitulado “Radiografia da conversa digital sobre mineração” (de 27 de julho a 25 de agosto de 2026), revelou que o tema gerou 47.484 menções de cerca de 27.500 usuários, com 330.881 interações e uma audiência potencial de 13 milhões de pessoas. O sentimento foi majoritariamente positivo: 48,2% positivo, 44,2% neutro/informativo e apenas 7,6% negativo.
Os temas mais comentados foram Investimento/RIGI/segurança jurídica (36,7%), infraestrutura (25,1%) e emprego (21,4%). O lítio concentrou 25,2% do núcleo da conversa, enquanto o cobre alcançou 18,7%. O projeto Vicuña teve visibilidade 4,6 vezes maior que Los Azules, com 13,4% das publicações. As províncias mais mencionadas foram San Juan (25,5%), Salta (18,6%) e Catamarca (12,8%).
Um dado curioso: os conteúdos negativos têm maior amplificação (52,7 interações médias vs. 19,9 dos positivos). A negatividade concentra-se em debates específicos como a Lei das Geleiras (67,5% negativo) e a Lei de Terras (83% negativo). A rede social X concentra 26,2% das publicações e 60,9% das interações.
Aconcagua Transportes: 25 anos junto à mineração
No âmbito da convenção, a Aconcagua Transportes, empresa fundada em 1950 e que opera para a mineração desde 2002, celebrou que em 2027 completará 25 anos de serviço ao setor. Seu presidente, Alejandro Galeano, destacou a operação na rota Salar del Hombre Muerto (Catamarca) - General Güemes (Salta), de 451 km, onde transportam cloreto de lítio a quase 5.000 metros acima do nível do mar, com temperaturas de até -25°C e ventos de 100 km/h.
A empresa incorporou tecnologia de ponta: sistemas ADAS e DMS (detecção de sono, distrações e uso de celular), velocidade limitada a 80 km/h em rodovias e 50 km/h em estradas mineiras, e proibição de circular entre 23h e 5h. Com bases em General Güemes, Pampa Blanca, Belén, Chimbas, Campo Quijano e AMBA, a Aconcagua apresentou o ciclo cultural “Um legado sobre rodas”, com a participação do historiador Felipe Pigna, que estará presente na sexta-feira, 4 de setembro, às 13h.
Plataforma Trabalho Mineração Salta: IA para conectar talentos
Outra novidade foi a apresentação da atualização da plataforma Trabalho Mineração Salta (trabajomineria.salta.gob.ar), que incorpora um assistente de inteligência artificial para conectar trabalhadores e empresas. A apresentação ocorreu na sexta-feira, 4 de setembro, às 10h30, na sala SUM do Centro de Convenções, conduzida por Martín Güemes (Secretário de Modernização) e Gustavo Carrizo (Secretário de Mineração), com a participação de Clara Ochoa, subgerente de RH da Ganfeng Lithium.
A mineração no noroeste argentino não é apenas uma promessa: é uma realidade produtiva que gera emprego, investimentos e desenvolvimento. O Argentina Mining Norte 2026 é a prova de que o país tem um futuro brilhante na indústria mineira.