A visita do Papa Leão XIV à Argentina, marcada para 8 a 11 de novembro, está gerando uma enorme expectativa no país. Uma avançada do Vaticano, composta por 12 pessoas e liderada pelo coordenador de Viagens Apostólicas, Dom José Salas Castañeda, junto com o núncio apostólico no país, Dom Michael Wallace Banach, concluiu nesta terça-feira (1º de setembro) uma série de reuniões-chave com autoridades nacionais, provinciais e municipais.
A agenda de trabalho, que ocorreu entre 26 de agosto e 1º de setembro, deixou definidos os principais locais da visita papal, que promete ser histórica pela magnitude da convocação esperada.
Um operativo de coordenação interjurisdicional sem precedentes
A coordenação geral do operativo está centralizada no Governo nacional, por meio da Secretaria-Geral da Presidência, a cargo de Karina Milei, e conta com uma mesa de trabalho interjurisdicional. Mara Gorini é responsável pela preparação dos atos públicos.
As reuniões incluíram:
- 26 de agosto: encontro no Ministério da Segurança da Nação com representantes da Província de Buenos Aires, da Cidade Autônoma de Buenos Aires e de Córdoba.
- 31 de agosto e 1º de setembro: visitas a Córdoba, onde a delegação se reuniu com o governador Martín Llaryora.
- 1º de setembro: reunião na Basílica de Luján com as autoridades locais, incluindo Cristina Álvarez Rodríguez, Javier Alonso e Leonardo Boto.
- Reuniões em Buenos Aires com autoridades da Cidade.
Além disso, participaram representantes do Ministério das Relações Exteriores (Pablo Quirno), do Ministério da Segurança Nacional, da Secretaria de Comunicação e Mídia e da Nunciatura Apostólica.
Buenos Aires: atos massivos e encontros setoriais
Na Cidade de Buenos Aires, a agenda papal inclui:
- Casa Rosada: reunião com o presidente Javier Milei.
- Monumento aos Espanhóis (Palermo): possível ato massivo. A Cidade estima uma presença de 600.000 a 800.000 pessoas.
- UCA (Puerto Madero): encontro com empresários, trabalhadores e sindicalistas.
- Encontro com jovens: debate entre o Estádio Monumental de River Plate e a Avenida 9 de Julho.
- Visita a uma prisão (ainda não confirmada, possivelmente em Devoto).
- Hospedagem: o Papa ficará na Nunciatura Apostólica, no bairro de Recoleta.
Córdoba: a missa central com milhões de fiéis
Córdoba se prepara para uma jornada histórica. A missa central será celebrada no terreno da Fábrica Argentina de Aviones (FAdeA), onde se espera a presença de mais de 1.500.000 de pessoas.
O percurso do Papa será: FAdeA → Arcebispado (almoço) → Catedral. O operativo de segurança prevê cortes na Circunvalación e na Avenida Colón, e o centro da cidade ficará "blindado" desde 24 horas antes.
O governador Martín Llaryora avalia declarar ponto facultativo para facilitar a participação popular. Além disso, estão sendo realizados levantamentos de hospedagem para os peregrinos e foram convocados 10.000 voluntários para auxiliar na logística. Também se estuda uma missa com a comunidade eclesiástica na Catedral.
Na noite anterior à missa em FAdeA, está prevista uma vigília artística e religiosa.
Província de Buenos Aires: Luján e o Cottolengo
Na província de Buenos Aires, os pontos principais serão:
- Basílica de Nossa Senhora de Luján: missa multitudinária.
- Cottolengo Don Orione (Claypole): visita a pessoas com deficiência.
Agenda oficial e contexto regional
A agenda oficial será divulgada em aproximadamente 10 dias. A visita à Argentina faz parte de uma turnê regional que inclui Uruguai (6-7 de novembro) e Peru (13-16 de novembro).
Espera-se que a convocação supere amplamente a histórica visita de João Paulo II em 1987, que reuniu cerca de 500.000 pessoas.
Autoridades eclesiásticas como Marcelo Colombo (presidente da CEA), Raúl Pizarro (secretário-geral da CEA), Ángel Rossi (arcebispo de Córdoba) e Munir Bracco (porta-voz do Arcebispado de Córdoba) participaram das coordenações.