O presidente Donald Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciaram um acordo que concede aos Estados Unidos o controle majoritário de 17 campos com reservas de 65 bilhões de barris. O investimento ultrapassará US$ 100 bilhões e promete transformar a indústria petrolífera venezuelana, embora gere fortes críticas da oposição e de economistas.

Um pacto que redefine a geopolítica do petróleo

Em 29 de agosto de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em sua rede Truth Social um acordo sem precedentes com a Venezuela: Washington obterá o controle majoritário de 17 campos estratégicos com reservas provadas de 65 bilhões de barris, aproximadamente 21,5% das reservas totais do país sul-americano. A confirmação veio da própria Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela desde janeiro de 2026, após a captura de Nicolás Maduro por uma operação militar americana.

O acordo, com validade de 25 anos prorrogáveis, prevê um investimento superior a US$ 100 bilhões e uma meta de produção de mais de 1,5 milhão de barris por dia. Segundo os termos, a Venezuela receberia US$ 209,335 bilhões em tributos e royalties a um preço de referência de US$ 65 por barril, o que equivale a cerca de US$ 19 por barril para o Estado venezuelano.

O que significa o controle do Pentágono?

O Pentágono, por meio do Escritório de Capital Estratégico, planeja adquirir uma participação passiva de 35% na North American Blue Energy Partners (NABEP), a segunda maior produtora privada da Venezuela, liderada pelo empresário Alejandro Betancourt. Além disso, teria direitos preferenciais para comprar 20% da produção futura da NABEP ao custo.

Trump também anunciou que usará petróleo venezuelano para repor as reservas estratégicas dos EUA, que estão no nível mais baixo desde 1983.

Benefícios para ambas as nações

Para os Estados Unidos, o acordo garante reservas estáveis de petróleo de baixo custo, reduz os preços da gasolina e contrabalança a influência da China e da Rússia na região, no âmbito da iniciativa Escudo das Américas.

Para a Venezuela, o investimento de US$ 100 bilhões é vital para recuperar uma indústria que colapsou: a produção caiu de 3 milhões de barris por dia para apenas 500 mil. Espera-se um efeito dinamizador em toda a economia.

Reações divididas

A oposição venezuelana, por meio do Primero Justicia (PJ) e do Ação Democrática (AD), exige transparência total: publicação do acordo, prestação de contas e garantias verificáveis. Eles questionam a legitimidade do governo de Rodríguez e a falta de debate público.

Economistas como Ricardo Hausmann, Francisco Rodríguez e Luis Vicente León criticam os termos econômicos, apontando que a receita por barril é baixa e que se negocia com um governo não eleito. Do chavismo, Rafael Ramírez classificou o acordo de "entreguista" e inconstitucional.

Analistas internacionais como Geoffrey Ramsey e Benjamin Gedan temem que o pacto consolide o status quo e adie a transição democrática na Venezuela.

Perguntas em aberto

Ficam dúvidas sobre a participação de petroleiras internacionais como Chevron, Repsol, Eni, Shell e BP, a administração dos recursos e o impacto nas eleições de meio de mandato nos EUA de novembro de 2026. O acordo, sem dúvida, marcará um antes e um depois na relação bilateral e no mapa energético mundial.